Um protagonista voa para fora do ninho

Capítulo 6 de 7 · Leitura integral

Para alguns, o voo
tem pouso no sucesso

“Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar”

Friedrich Nietzsche · filósofo alemão
Imagem do livro CHEio de Ideias — página 134

Se eu fosse montar uma linha do tempo desde 2005 até hoje, poderia avaliar meu protagonismo em diversas áreas e momentos marcantes em cada uma delas.

Falando sobre a empresa, por exemplo, creio que a primeira avaliação importante em relação aos avanços que marcaram essa trajetória é ter conseguido estabelecer o MBM Escritório de Ideias em um parâmetro fora de uma linha de concorrência direta, com outros players do mercado de comunicação.

Ressalto isso como uma conquista, porque conseguimos nos desenvolver como uma empresa muito versátil, customizando projetos em cinco unidades de negócios para atender clientes que buscam soluções em marketing. Essas cinco unidades de negócio são: eventos, mídia, relacionamento, consultoria e produção de conteúdo.

Avalio esse avanço como uma evolução muito progressiva, acima de tudo porque criamos um modelo novo, diferente, customizado de negócio, e acabamos aprendendo enquanto praticamos. Do início até aqui a empresa desenvolveu mais de 400 projetos nessas cinco áreas e em outras que talvez não sejam mais nosso foco, porque é preciso ter muita clareza da nossa missão de mercado.

Passamos por trajetórias muito interessantes e desenvolvimento de projetos muito exclusivos e específicos, e que talvez hoje formem muito mais que meramente um portfólio, mas sim experiências realmente significativas, processos que se desenrolaram com determinação e sucesso.

1Mais que portfólio, experiências

Me lembro quando fomos chamados pela MGA Recursos Humanos, de Piracicaba, em parceria com o Citibank, para desenvolver um evento para empresários que teria o economista Maílson da Nóbrega como palestrante.

Tínhamos só 20 dias para fazer esse evento de grande porte e extrema relevância, e felizmente fomos muito bem nesse projeto. Cuidamos de toda a estrutura para que a ação fosse um sucesso e – assim como tantos outros projetos – a situação nesse caso era termos um budget justo e muito a fazer.

Nunca chamamos nossa empresa de agência de propaganda, porque ela é um escritório de ideias, onde temos várias pessoas e cada um de nós somos como mesas, com suas gavetas, e em nossos cérebros armazenamos muitas e muitas ideias e iniciativas práticas para servirem aos interesses criativos dos nossos clientes.

O MBM é uma empresa que consegue desenvolver desde um evento para 20 pessoas até uma grande feira ou exposição. Temos muitos produtos dentro dessa dinâmica, num hub de soluções e ideias que colocamos à disposição dos nossos clientes. Eles compreendem, acima de tudo, que qualquer projeto para o fortalecimento da imagem de empresas ou pessoas precisa ter algo muito importante: se é um projeto para atingir um determinado público, é preciso identificar quem é esse público.

Em nossa trajetória, nos especializamos em customizar projetos diferentes para públicos diferentes, desde que tenhamos exatamente o conhecimento de qual é esse público. É infantil? Temos a Casa de Noel! É formado por moradores, síndicos ou empresas do setor condominial? Temos a Feira dos Condomínios e do Bem Viver! É um público que está construindo, reformando, decorando? Temos o Village Arte Decor, uma mostra de arquitetura, decoração e paisagismo. Se é variado, que está em busca de informação, pautamos e apresentamos projetos de rádio. E assim também criamos e customizamos campanhas de posicionamento e inserção de mercado.

Creio que conhecer o público é um dos nossos maiores talentos. Mas não só isso, temos também as consultorias para posicionamento de empresas e pessoas no mercado, em suas respectivas áreas de atuação.

Como vou falar de um hospital sem estudar o funcionamento dele? Se um hospital é o meu cliente, então preciso fazer uma imersão nessa

realidade para desenvolver bem esse projeto e creio que essa facilidade de apropriação, de compreender diferentes realidades e contextos, tem muito a ver com meu perfil.

Tenho um perfil muito versátil e ao mesmo tempo com facilidade de me aprofundar em diferentes contextos, o que possibilita a total personalização do meu trabalho. Atendo cada um dos meus clientes de forma diferente, completamente adequada à realidade deles.

Vejo isso como algo positivo para o perfil de profissional de comunicação e estratégia, que apresento como riqueza dentro do nosso negócio, fruto de um processo investigativo, imersivo, um briefing muito bem-feito, sempre nos colocando como parte do time dos nossos clientes, como parte da família corporativa deles, como parte de sua equipe, com quem eles lidam diariamente.

2Grande evolução

Quando olho para essa linha do tempo que propus traçarmos no início deste capítulo, vejo que desde 2005 nosso MBM Escritório de Ideias só evoluiu! Primeiro, porque tivemos a coragem de sair de uma esfera competitiva com outras empresas de comunicação e nos arriscar em algo fora dos formatos já conhecidos em nosso métier. É claro que existem algumas competições por verbas, mas não quisemos competir no campo das ideias. Praticamente todos os projetos próprios que temos – fora as linhas de propostas que desenvolvemos para terceiros – foram criados do zero, porque inventamos o que queríamos fazer e no que queríamos trabalhar.

Levou um bom tempo até que o mercado compreendesse esse outro tipo de esfera competitiva que estávamos propondo. Algumas agências de publicidade e propaganda nos ignoravam e nos julgavam como “soberbos”, porque propúnhamos oferecer um prisma bem grande de serviços em nossa área de atuação. A verdade é que sempre gostei de novos desafios e foi assim que o MBM se posicionou durante quase 20 anos, como um portal que capta as necessidades de seus clientes. Se há algo que nossa equipe não consegue fazer, com muita humildade buscamos os melhores profissionais para desenvolver a atividade e, na medida do possível, aprendemos com aquela situação nova.

Hoje, nossa carteira conta com mais de 100 fornecedores e parceiros diretos em projetos. Já realizamos mais de 400 projetos, mas não é incomum que terminemos o ano com 50 ações diferentes, nas áreas de eventos, consultoria, relacionamento, mídia e conteúdo.

A evolução ao longo dos anos foi essa: fazendo alguns tipos de serviço, entendendo quais atividades não eram do nosso core bussiness e alinhando nosso atendimento sempre com esse foco de customização de ideias criativas e de possibilidades produtivas. Isso nos credenciou como uma empresa que alavanca a economia criativa do setor, de juventude que empreende e de gente que não tem medo de inovação, que busca todos os elementos humanos e tecnológicos para poder gerar as cinco unidades de negócio da minha área de atuação.

3Vivência e experiência para ensinar

Mesmo com quase 25 anos de carreira, sei que ainda tenho muito a aprender, mas confesso que com este livro estou assumindo a minha senioridade como profissional. Meu processo está em um estágio muito satisfatório e agora começo a entender que preciso buscar novos voos.

Quando olho para todos esses anos que se passaram, percebo que ainda estou saindo de um front executivo. Sempre fui um profissional de execução. Se havia um evento, colocava as mãos na massa para fazer tudo: desde a lista, passando por desenhar o evento inteiro, até coordenar a ação no dia e receber os convidados. Hoje digo como deve ser feito, eu ensino e sei delegar mais.

Parto de uma esfera executiva, de ser alguém que estava na ponta da produção e execução das coisas, para ser alguém que passa para a ponta da informação, compartilhada e ensinada. Passo a ter essa certeza porque já fiz diversos trabalhos nos quais a minha experiência adquirida possibilita a segurança para ensinar outras pessoas. Se você me perguntar:

— Bruno, quantos eventos você já fez na sua vida?

Sem dúvida vou responder que já perdi as contas e que isso está na casa das centenas! Hoje me sinto qualificado com essa evolução. Enquanto em 2010 eu fazia muito mais do que ensinava, hoje quero ensinar, orientar muito mais do que faço.

Em ambas as épocas, tanto em 2010 quanto hoje, não consigo viver sem uma palavrinha chave: compartilhar.

Esse compartilhamento me faz sentir como se estivesse em um jogo de tênis, com a bolinha indo e voltando o tempo todo. Gosto desse movimento, dessa troca com todas as pessoas que trabalham comigo. E sinto nessas pessoas o entusiasmo, que é uma das coisas que me movimenta. Como já mencionei em outro capítulo, o meu Deus pessoal é entusiasmado no realizar, nesse processo da ideia que é só minha, que vai para o papel, que do papel contagia as pessoas em volta, fazendo com que elas consigam contagiar as pessoas em volta delas e, a partir desse momento, passamos para a execução prática da ideia.

4Nos sinais de Deus, vemos que nossa luz não vai se apagar!

Os sinais de Deus em nossas vidas mostram que o caminho pode ser cansativo, mas que o final da estrada sempre é iluminado. Esses sinais têm me acompanhado por toda minha trajetória. Em uma ocasião, voltando para casa após dois dias de trabalho no Hotel Jerubiaçaba, em Águas de São Pedro, eu olhava a estrada pela janela do ônibus e pensava: “Como posso estar trabalhando tanto e o dinheiro não ser suficiente? Eu trabalho, trabalho, trabalho e as contas são mais altas do que posso pagar. Tem boleto de tudo, tem salário de funcionário, tem aluguel, tem cartucho de impressora… será que estou esquecendo alguma coisa? Ah meu Deus, a conta de luz, será que eu paguei? Já está muito atrasada, não dá para cortar, meu Deus!”.

Liguei na minha empresa e perguntei para uma funcionária:

— Já pagamos as contas de luz atrasadas?

— Precisamos pagar pelo menos uma – ela respondeu.

— E tem que ser hoje?

Ela me disse que sim e que o valor era R$ 290,00. Eu não tinha nada muito além do troco do ônibus que havia tomado para voltar desse trabalho. Me deu um desânimo, uma tristeza, uma preocupação. Como eu ia pagar aquela conta com tanta urgência? Como ia conseguir o dinheiro?

Vinte minutos depois me liga a funcionária.

— Bruno, você não vai acreditar. O Pacífico, nosso cliente, passou aqui no escritório. Ele trouxe um dinheiro que disse ser da última parcela do projeto de divulgação do produto dele.

Você consegue adivinhar qual foi o valor que o Pacífico deixou para a gente na empresa?

Sim, R$ 290,00! Sua luz não se apaga se você acredita nela.

Deus protagoniza nossa vida para podermos ser protagonistas.

5Protagonismo que ensina

Acho muito bonito o que estou vivendo. Estou muito mais disposto a ensinar, a colocar as experiências que vivi a favor de pessoas que tenham um perfil parecido com o meu e, sem dúvida, minha trajetória de protagonismo faz parte desses ensinamentos que quero repassar.

Sei que as manifestações artísticas na minha vida desde a infância me geraram certa familiaridade com o palco, por vezes para atuar, outras para dançar e até mesmo para cantar. Porém, hoje também me sinto muito confortável para subir em um palco com o objetivo de executar outras atividades, digamos, mais empresariais, como palestrar. E por incrível que pareça, todas essas atividades exigem bastante preparação, estudo e ensaio, e para mim são todas muito importantes, tendo cada uma delas o seu lugar.

Creio que me preparei muito para ser um comunicador de massa, ser alguém que ensina sobre alguns assuntos, principalmente eventos, uma área que domino bem. Já dei aula até em graduação e pós-graduação de eventos e em diversos outros cursos com abordagem sobre a área.

Após um longo processo, me vejo muito mais voltado para um foco educativo, para a formação e compartilhamento de critérios. Entendo que a principal diferença entre o Bruno que estava em plena ascensão e execução de tarefas anos atrás para o de hoje é que agora não estou mais sozinho nesse palco. Depois de tanto me desdobrar como um ator que também é diretor, roteirista, além de ser seu próprio maquiador e figurinista, hoje posso contar com uma equipe disposta a trabalhar ao meu lado e aprender comigo.

Na empresa, sou um líder e também o dono da empresa, mas as partes interessadas, os nossos clientes e parceiros, entendem: não vou fazer tudo sozinho, serei o capitão desse barco. Hoje sou muito mais o capitão do barco do que o marinheiro que vai botar a mão na massa para soltar a âncora com o braço. Sou um bom capitão porque antes já fui o marinheiro.

Se antes o que garantia essa credibilidade do meu trabalho era o fato de eu mesmo “colocar a mão na massa”, executar praticamente tudo, o que garante essa credibilidade hoje é que estou coordenando uma equipe e isso vem como um selo de qualidade sobre o meu trabalho.

É como se eu fosse um condor que consegue fazer um sobrevoo rasante, muito próximo ao solo naquele local, porque ali é o meu ninho. Então, uma conclusão muito interessante que posso tirar após a escrita desse livro, é que minha vida passou por uma evolução muito bonita.

Começo no ninho da minha família de origem, tenho que me tornar protagonista ali, onde sou um dos filhotes e hoje na verdade o ninho que tenho é o que eu mesmo construí. Então, quem sobrevoa esse ninho sou eu, porque já me tornei um pássaro adulto e tenho muitos passarinhos para cuidar e minhas asas têm que abraçar muitos “filhotes”. Por isso vejo que a minha credibilidade profissional como vendedor de projetos e atendendo clientes hoje está exatamente aí: as pessoas sabem que estou sobrevoando e coordenando tudo. Mesmo que isso não ocorra presencialmente, a filosofia que construí se concretizou de tal forma que ela se faz presente em todos os meus projetos, em tudo que compartilho, como acesso e devolvo as informações para que cada objetivo de marketing e comunicação dos meus clientes seja alcançado dentro do escopo dos serviços comercializados.

6Abram alas para a criatividade

Está super claro para mim que essa transferência do executar para o ensinar/ coordenar é um desabrochar do meu papel, que inclusive me proporciona muito mais oportunidades para momentos de criatividade, de liberação, pois fico menos focado no operacional e assim tenho mais tempo para me dedicar à criação.

Para mim, nem sempre é fácil ter alguns momentos livres. Muitas vezes, quando me percebo com tempo sobrando, tendo até a me sentir culpado, pensando se me esqueci de fazer algo importante.

— Nossa! Mas eu não estou trabalhando? Será que me esqueci de alguma coisa?

Fato é que tenho me condicionado a pensar que nem sempre trabalhar significa estar debruçado sobre uma mesa no escritório ou atendendo al-

gum cliente. Também tenho pessoas trabalhando comigo, pensando junto e seguindo a minha escola. Enquanto isso, me dedico a dar espaço para a criatividade e a inspiração para isso vir de várias fontes, como já expliquei no capítulo anterior.

Pensando de forma prática, quando estou escutando música e isso me inspira a gerar novas ideias para algum projeto, eu também estou trabalhando; quando vou ao teatro ou revejo algumas fotos minhas e isso abre minha mente para novas ideias, também estou trabalhando; porque a criação é parte da produção e produção é trabalho.

Por isso, sinto que estou começando a entrar em uma etapa da vida profissional em que tenho condições de trazer esse papel de professor e mentor com mais força. E isso tem a ver com essa senioridade que consegui alcançar naturalmente.

7O indivíduo em autoconhecimento

Ao falar sobre avanços, enquanto celebro as conquistas profissionais, vejo que a evolução como ser humano é algo que jamais termina. Não me vejo chegando a um ponto no qual eu pense:

— Bom, então é isso! Já aprendi tudo que alguém precisa saber.

Penso dessa forma justamente porque o mundo está em constante mudança e atualização. Esse fator, por si só, já é um ótimo motivo para buscarmos uma evolução diária, porque se estivermos dispostos a isso, vamos evoluir como seres humanos até o último dia da vida. Mas se eu pudesse listar meus avanços como ser humano atualmente, eles teriam a ver principalmente com o reconhecimento que consegui.

Somente o fato de ter escrito esse livro já tem a ver com todo um processo de autoconhecimento, no qual reconheço minha própria história dentro das quatro palavras que trouxe no primeiro capítulo: disciplina, alegria, gentileza e resiliência.

Enfim, reconheço isso, acredito que pode ser uma história de inspiração para outras pessoas e, ao mesmo tempo, dentro do meu processo atual, continua muito ligado ao meu autoconhecimento e entendimento dos papéis que ocupo naturalmente, dos que quero ocupar com esforço e educação, daqueles que não ocuparei e que não quero ocupar, ou, quero desocupar, não quero mais ocupar.

É o processo de autoconhecimento que traz a clareza sobre papéis a serem ocupados e desocupados.

Ter essa clareza que é fruto do autoconhecimento é como olhar para um contexto e pensar:

— Eu sou bom nisso? Então é nisso que vou me mostrar, me ocupar.

Os momentos de autoconhecimento que vivemos são parte de um amadurecimento bonito, consciente, investigativo e muitas vezes bem desafiador, mas ainda assim, algo que queremos bancar. Sei que inspiramos outras pessoas.

Isso tudo se resume também em novas fronteiras geográficas, de atuação em outras praças comerciais, de desenvolvimento de outros projetos, como por exemplo a escrita do meu primeiro livro.

A cada dia que me conheço mais, fico mais animado e aprendo com essa transitoriedade, com o alcance de uma outra idade e do despertar das verdadeiras vocações, talentos e dons. Creio que esse período avança a cada autoanálise, a cada mudança e eu amadureço um pouco mais.

8Diga sim para os desafios

Permanecer na zona de conforto parece algo – como o próprio nome já diz – um tanto confortável, mas inevitavelmente, carrega em si a estagnação, e isso me deixa alarmado de tal forma que me tornei alguém sedento por desafios.

Avalio que quem assume um papel de protagonista tem sempre como motivo e como motor fugir da comodidade. A comodidade, aquilo que está cômodo, pode gerar para mim algo que é muito arrepiante para um líder, para um protagonista: a perda de oportunidades de avançar, de crescer, de aprender. Foi justamente essa sede por desafios que me levou a trabalhar com tantos projetos diferentes na minha vida.

A verdade é que o protagonista é um investigador, está sempre em busca de explicações, soluções e um jeito novo de fazer algo em que todos pensam não ter mais outro formato para surgir.

O protagonismo do profissional da economia criativa está justamente na implantação de ideias e projetos que muitas vezes poderiam ser mantidos

por outras pessoas da forma que estão. Mas estas mesmas pessoas acabam se entusiasmando a concretizar a ideia inovadora desse profissional criativo, porque ele contagia esse entusiasmo com sua capacidade de engajar sua equipe.

O que me motiva a não permanecer sempre no mesmo lugar é exatamente a possibilidade que eu sei, ou quero acreditar, que a partir do momento que lanço uma ideia, um projeto, uma ação, ela terá pessoas entusiasmadas e dispostas a executarem e manterem o que comecei a criar. Porque o meu processo criativo é individual: vontade, papel, convencimento, entusiasmo. Porém, é seguido por outras duas etapas também muito importantes: compartilhamento e execução.

O protagonista – ou líder – quando cria um projeto e compartilha com sua equipe, participa de parte da execução e por isso sente que não é o único dono dele. Dessa forma, não me sinto detentor exclusivo de nenhum dos meus projetos. Sou o criador primordial, o primeiro que lançou a ideia, porém não me sinto no direito de me apossar do projeto por inteiro, porque é justamente o compartilhamento que se torna uma parte muito importante para que ele venha a se concretizar.

Obviamente que, como a ideia é minha, sou dono dela. Porém, é o meu processo como líder que movimenta a possibilidade de implantar situações, ideias e projetos que entusiasmem e contagiem positivamente outras pessoas e que elas da mesma forma se entusiasmem, se contagiem por tocar o projeto comigo, ao meu lado e cada uma em sua função.

9Criação + foco = credibilidade

Durante muito tempo houve um estigma sobre as mentes criativas, sugerindo que elas têm grandes ideias, mas são desorganizadas para colocá-las em prática. Confesso que ter foco e organização não é algo tão fácil para uma mente criativa, porém também não é impossível e, como gosto de desafios, aceitei por desenvolver esse meu lado que, de alguma forma, correspondia a esse estigma.

Esse desafio exigiu demais de mim, de tal forma que hoje consigo entender o quão grande foi essa exigência. Minha vida pessoal muitas vezes ficou prejudicada, porque esse aprendizado requer tempo e me dediquei muito à vontade de exercer meu ofício, minha real missão. Você pode estar se perguntando:

— Bruno, como você conseguiu conciliar a sua mente criativa com um olhar mais focado e organizado?

Confesso que não sei se a melhor palavra para definir esse processo é “conciliar”, porque conciliação me lembra equilíbrio e esse é um ponto extremamente difícil – quase impossível – não de alcançar, mas sim de manter. Em alguns momentos, percebo que preciso trabalhar mais, enquanto em outros, vejo que preciso dedicar mais tempo à minha família. Como é possível chegar a um equilíbrio? A cada momento nos “desequilibramos” um pouco para atender a certas necessidades.

Da mesma forma ocorre com relação à criatividade. Em certos momentos, preciso ser mais flexível para criar e em outros preciso ser mais disciplinado para colocar minhas ideias em execução. Por isso não sei se classifico isso como uma conciliação, mas sim como uma postura de quem está sempre atento ao contexto que se forma e o que ele pede da gente.

Vale lembrar que muitas vezes pensamos na questão do tempo na vida pessoal, mas creio que na vida profissional também é importante haver essa atenção sobre as demandas de investimento de tempo. Muitas vezes atravessamos uma fronteira e não estamos prontos para isso. Então, colocamos essa travessia nas mãos de uma energia maior que acreditamos ser o que movimenta tudo. Há quem chame de Deus, há quem chame de universo ou cosmos ou qualquer outra força motora, como por exemplo a nossa economia.

Eu já acredito em uma energia maior que é a da afinidade entre as pessoas, empresas, ideias. Muitas vezes queremos desenvolver uma ação que vai quebrar paradigmas, fronteiras e ela pode até existir, mas não vai ser agora.

Então, creio que é importante respeitar o tempo, porque muitas vezes o tempo não é do nosso querer. O momento certo para cada investimento nosso muitas vezes é determinado por situações mercadológicas, sociais, públicas, corporativas, de tendências naturais de consumo e de desenvolvimento do setor de serviços, no qual atuo.

Também entendo hoje que é importante identificarmos no tempo quais são os momentos de voar e os de pousar. Creio que este livro, por exemplo, é um tempo de pouso, porque é a hora em que consigo refletir sobre todas as coisas que fiz até aqui e que marcaram minha vida de alguma forma.

Profissionalmente, me sinto como um condor que voou e caçou para alimentar seus filhotes durante muito tempo, porém agora precisa em alguns momentos se recolher para descansar. No meu caso, amplio esse descanso para um pouco mais que uma noite de sono, para distribuí-lo em diversos

momentos de reflexão, nos quais vou me renovando, recarregando as forças para voltar a alçar outros grandes voos, de outras formas, com novas ideias e muito mais energia.

Pessoalmente, também me sinto em um momento de pouso, no qual consigo analisar tudo aquilo que ganhei e também o que perdi em razão da minha dedicação à vida profissional. Vivo um momento de analisar novas possibilidades de crescimentos ou de novas abordagens dos meus negócios, para me dedicar mais à família e a mim.

O momento do pouso é aquele em que precisamos parar para pensar e entender como será o próximo grande voo, entender que tipo de terreno foi semeado enquanto estávamos voando.

Enquanto eu estava voando, como o terreno que estava me esperando estava sendo tratado? Por isso, creio que pousar é entender que a terra firme é a nossa base e também precisa de nós, que a terra firme também precisa de um abastecimento de energia, precisa de uma série de questões que devemos trazer conosco para o solo.

De uma forma geral, os momentos de pouso e parada são esses nos quais reflito sobre o que já fiz, processo tudo isso, registro para não perder nada, sobretudo o que envolve palavra, informação, experiência, e me disponho a organizar as próximas etapas para novos grandes voos e desafios que terei pela frente.

Meus pousos são momentos em que entendo quais os riscos que vou correr ao voar para mais longe, porque tenho de voar mais alto, e para pensar nisso, preciso estar em terra firme, na minha base, limpar o terreno, tirar o mato que cresceu porque eu estava longe e plantar mais flores.

10Compartilhando pelo poder da palavra

Se semeio no meu terreno, isso me leva também a semear ideias em outros terrenos onde tenho permissão. Por isso vejo muita importância em desenvolver nossa capacidade de compartilhamento. Precisamos acreditar mais na nossa capacidade de compartilhar, para entendermos que cada tipo de trabalho, ação, precisa de um tipo de parceiro, investidor, um tipo de sócio, considerando que cada uma dessas ações também tem um tipo de público.

Esse romper de fronteiras tem a ver com isso: entender todos os níveis do trabalho, seja o público final, seja o seu parceiro, quanto isso vai custar e quanto vai render, e entender cada etapa para que a gente consiga chegar ao fim dessa trilha com sucesso.

Hoje entendo que sucesso é o acontecer das coisas, quando elas se efetivam, se realizam e creio que a grande missão do protagonista é a promoção do sucesso, é a promoção da realização dos processos entre as pessoas, profissionais e parceiros.

Estou tendo que reaprender isso. Investi e ainda invisto muito em relações humanas, em parcerias. Esse investimento me exigiu tempo, energia e até mesmo muitos tombos – seja em situações que eu não controlava ou de pessoas que eu não controlava – mas não acho que isso foi de todo ruim, porque me trouxe a um nível de excelência que pode ser compartilhado com outras pessoas.

Essa excelência é visível e não tem a ver só com dinheiro, mas com a quantidade de ideias que consigo realizar por mobilização pública, quantas pessoas entusiasmadas consigo engajar na minha rede e o quanto elas continuam acreditando em mim, chegando ao ponto de que a minha responsabilidade como líder só aumenta, porque em certo momento essas pessoas não questionam mais, simplesmente acreditam na minha credibilidade, porque os projetos sob minha liderança sempre saem do papel.

Toda essa credibilidade não me traz vaidade, mas sim uma dimensão maior da minha responsabilidade, porque preciso continuar fazendo essa roda girar sem comprometer negativamente ninguém. É claro que também me conscientizo que, a partir do momento que as pessoas se entusiasmam e compram qualquer uma das minhas ideias, elas compartilham essas ideias comigo e têm corresponsabilidade para que saiam do papel e aconteçam. Por isso tenho que escolher bem essas pessoas, ao mesmo tempo que elas também têm que me escolher.

Sem dúvida, ao mesmo tempo que essa credibilidade me traz consciência sobre o peso da responsabilidade que há em torno do meu trabalho, ela também me traz muita segurança, porque sei que hoje tenho muito mais portas abertas do que no início da minha carreira profissional. Hoje não tenho mais a sensação de que não posso errar, de que qualquer falha pode acabar com a minha vida, minha carreira, minha imagem perante

meus parceiros. Inclusive, essa disposição de encarar os erros com mais humanidade é algo que compartilho com as pessoas que trabalham comigo em todos os tipos de projeto.

E para compartilhar com eficácia, há um elemento poderoso que considero importante termos sempre em mente: a palavra. Ela tem a força da transformação, a força de burilar qualquer coisa, de realizar.

Se pesquisarmos um pouco sobre estudos relacionados aos efeitos palpáveis da palavra, vamos encontrar resultados de experiências que expuseram situações como pessoas criando duas mudas de planta de formas diferentes. Para uma falavam apenas palavras positivas e para outra apenas palavras negativas durante semanas. Enquanto a muda que recebeu apenas palavras positivas estava mais vistosa e com suas raízes fortalecidas, a que recebeu apenas palavras negativas estava mais fraca.

A oração básica do Ho’Ponopono consiste em uma técnica de um médico havaiano que conseguiu curar um presídio inteiro à distância, apenas proferindo quatro expressões: muito obrigado, sinto muito, me perdoe e eu te amo. Essas descobertas mostram que o poder da palavra é arrebatador.

Eu mesmo sou uma pessoa que vive da palavra. Sou encantado com a questão da comunicação, que tem duas vertentes importantíssimas: emissor e receptor. Um emite uma informação utilizando um canal, um meio de comunicação, enquanto o outro recebe tal mensagem. Essa ação pode ocorrer de forma mútua, como uma via de mão dupla.

Sou encantado com isso, com a riqueza das palavras pela emissão e recepção, como também pela variedade de meios que temos hoje, como a verbalização presencial, o telefone, o Skype, a televisão, o rádio, o jornal, a revista, as inúmeros plataformas digitais de áudio e vídeo, entre tantos outros.

Sou palestrante e comunicador de massa porque hoje a minha palavra conta com a livre expressão, não somente de sentimentos, mas de movimentos, conceitos e ideias.

Então, valorizo muito essa missão social e pública, que trago não só neste livro, mas na minha própria carreira como um todo, que é a missão da palavra como arte.

A palavra pode transformar vidas, pessoas, locais, histórias, situações e futuro.

A palavra, que vem desde as Escrituras até os grandes comunicadores do mundo, é um dos patrimônios mais amplos da humanidade, e me sinto nesse papel de promovê-la, de usá-la bem. Gosto dessa dinâmica que ela desenvolve na vida das pessoas e de como pode emocionar. Se usarmos uma música com uma letra bonita, que casa bem com a melodia, ou uma poesia que toca os nossos corações, ou ainda uma história bem contada, que no final vai ter um sentido para quem a ouve, isso tudo são influências que a palavra exerce sobre nós desde a infância e precisamos entender a sua importância.

Imagem do livro CHEio de Ideias — página 149

11#TudoComCH: Semeando sucesso

Entre as pessoas mais importantes de minha trajetória profissional, está Fabiane Ducatti. Cheia de energia, ela chegou a mim como cliente e se tornou um destaque, que melhor aproveitava nossas ideias e que sabia interagir com meu time de forma exemplar. Fá era gerente do Rumo Instituto, que desempenhou papel fundamental na formação de crianças em contraturno e na profissionalização de mulheres em bairros carentes de Piracicaba, por meio de costura e artesanato.

Ao longo de alguns anos como minha cliente, ela sempre trouxe demandas desafiadoras, projetos para obtenção de recursos, transformação de cenários e capacitação de grupos sociais. Aprendemos muito juntos e esse aprendizado sempre foi intenso, o que me levou a trabalhar com mais segurança em diversos outros projetos de sucesso no terceiro setor, com instituições que precisavam muito e nunca haviam experimentado os impactos do marketing e da comunicação em suas rotinas.

Em 2014, Fabiane me contou que estava saindo daquela entidade onde havia atuado por mais de 10 anos, porque o projeto iria encerrar suas atividades. Naquela altura, nossa proximidade era grande e convidá-la a trabalhar comigo foi natural, uma possibilidade real. Eu lembro como fiquei feliz. Ela chegou com uma missão: acompanhar as comemorações dos 15 anos do Musical Casa de Noel e atuar de forma a inserí-lo no mapa de projetos incentivados por leis de fomento à cultura nos âmbitos estadual e federal.

Diante da adaptação na rotina de nossa empresa, Fabiane começou a se movimentar, escrever projetos, montar o time de profissionais e inscrever as propostas nas leis de incentivo. De lá para cá, nosso projeto só cresceu e Fabiane foi se envolvendo nas atividades de uma forma leve e muito comprometida. E assim conseguimos tornar nosso espetáculo de Natal uma potência cultural e realizar muitos projetos significativos para o interior de São Paulo, e chegamos até os programas nacionais.

Gosto da emoção que ela dedica ao trabalho, gosto que seja uma virginiana organizada e briguenta comigo. Sua competência é complementar à minha e vice-versa. A gente chega a brigar de mentira (e de verdade também!), mas sempre com objetivo de alcançar um profissionalismo convergente, realizador e com excelência. Só posso concluir que aprendemos muito juntos. Ela é muito organizada e sabemos ler o outro. É sem dúvida minha maior parceira profissional.

Trabalhe com pessoas prósperas, cheias de amor à vida, humanas e envolvidas! Só assim o tempo passará de forma leve.

Quando olho para trás e traço a linha do tempo até aqui, minha memória me traz muita emoção ao me lembrar de profissionais brilhantes que trabalharam comigo, que me possibilitaram uma verdadeira troca de inspiração e me permitem que eu continue os inspirando até hoje.

Os estagiários continuam mantendo contato e fazem questão de ressaltar a escola que o MBM foi para eles e o quanto aprendemos juntos. Dentre eles, posso destacar nomes como os dos publicitários Livia Telles, que passou quase dez anos em nosso escritório, e Guilherme Vendrame, que trabalhou praticamente cinco anos em nossa empresa. Livia começou a trabalhar conosco como estagiária e saiu da empresa como coordenadora de mais de 15 projetos simultâneos. Já Guilherme entrou aos 20 anos, e de lá para cá voou conosco em diversos projetos de expressão

Em 2018 Paloma Ferreira pulou imediatamente de aluna do curso de eventos do Senac Águas de São Pedro para funcionária do meu escritório. Com uma vontade gigantesca de realizar, continua comigo em diversos projetos.

Mesmo muito jovem e sendo engenheira agrônoma, Adeline Sá trouxe inovação ao MBM com diversas ferramentas, frutos de sua formação esalqueana. Formada em Hotelaria, Anna Clara Piassa surpreendeu ao integrar nosso time durante os anos da pandemia. Todos eles são pessoas que sentiram o despertar de um desejo muito grande pela liderança, pelo protagonismo e sobretudo por essa movimentação criativa, que não tem medo de fazer acontecer e de experimentar.

Estou falando de pessoas apaixonantes, que adoram o que fazem e que beberam dessa minha fonte de entusiasmo, que puderam construir elementos bastante sólidos de uma carreira que começou muito bem, com oportunidades que às vezes pessoas mais velhas que eles não tiveram. Talvez por conviveram com essa minha multiplicidade de atividades, eles se identificaram e despertaram pela variedade e convergência das mídias.

Eles são exemplos das muitas pessoas que passaram por minha gestão, não importa se mais velhas ou mais novas, porque creio que a idade não interfere, nunca é tarde para aprender algo novo.

Juntos desenvolvemos projetos que entusiasmaram muita gente e criamos muito público. Eles fizeram parte dessa escola comigo para plantar, mas também para colher e isso é muito legal.

Se com os estagiários pude exercer meu papel de mentor, com os profissionais que passaram pelo MBM pude trocar conhecimento e, além de ensinar, aprender muito. A publicitária Rafaela Sabbagh participou da empresa desde quando ainda engatinhávamos até a mudança de casa em 2010, quando o MBM completou cinco anos. Ainda na área de publicidade, Silvana Meneghetti trouxe uma rica bagagem corporativa e participou da implantação de projetos com orientação nacional em nosso escritório.

No design, tivemos como destaque as contribuições de profissionais como Allan Felipe Dallavila, que permaneceu conosco por sete anos e hoje tem sua própria empresa de comunicação. O time contou ainda com Alex Rodrigues, Daniel Belluco, Fabrício Coral, Gabriela Barretto, Guilherme Victoria e Thais Alves, que deixaram a marca de seus projetos de identidade corporativa, editoração e design.

No jornalismo, diversos profissionais trouxeram para o MBM suas experiências em redação, rádio e outras mídias. Cristiane Bonin atuou com grande produtividade nos textos para assessoria de imprensa e revistas. A veterana Cristiane Sanches, nome de destaque no jornalismo do interior, trouxe uma rica bagagem e participou de forma única na criação de produtos com viés jornalístico e de conteúdo, além de se tornar sócia de eventos de nicho. A jornalista e consultora Giovanna Baccarin foi a responsável por inserir de forma pioneira o MBM Escritório de Ideias nos conceitos do marketing digital e das redes sociais. Teresa Blasco foi consultora de processos e mapeamento de cenários, participando ativamente das projeções de futuro da empresa. A paulistana Manu Vergamini agitou o escritório com suas estratégias e abordagens de assessoria de imprensa de alcance nacional.

Por último, mas não menos importante, quero falar sobre o querido Ronaldo Vitória (1958-2019), que infelizmente nos deixou muito cedo, aos 61 anos. Seus textos tinham na mesma medida as doses ideais de informação, ironia e precisão. Responsável pelas reportagens das revistas “Monte Alegre” e “Tutti Condomínios”, além de materiais de assessoria de imprensa para clientes, fazia da sua presença na redação uma mistura de profissionalismo e tiradas sarcásticas que alegravam o ambiente. Bem antes do MBM, Ronaldo era amigo da minha mãe, e havia me entrevistado muitas vezes sobre diversas pautas culturais, enquanto repórter setorista do “Jornal de Piracicaba”. Conhecido na grande mídia, tinha histórias ótimas dos tempos em que havia trabalhado em São Paulo. Além do exemplo de um profissionalismo ímpar, Ronaldo deixou muita saudade.

Em 2007 eu estava no último ano da faculdade e tinha uma colega de classe admirável. Além de muito gentil, educada e legal, Natália Litoldo interagia muito bem com todos, era estudiosa, fazia ótimos trabalhos e ainda batalhava para trabalhar. Como dono do MBM Escritório de Ideias desde 2005 eu precisava ampliar minha equipe de trabalho, para inclusive conseguir atender os novos projetos que estavam chegando.

Acabei convidando Natália para um café, quando comentei com ela que queria ampliar a minha equipe. Ela me disse que gostaria de trabalhar comigo e combinamos um valor. Abri o jogo: não sabia ainda como ia pagar, já que o fluxo de caixa ainda era muito baixo na empresa e eu precisaria de mais clientes para dar conta do mínimo. Era quinta-feira e combinamos de bater o martelo na próxima segunda. Um dia antes do encontro, fui para uma reunião no Hotel Jerubiaçaba, em Águas de São Pedro, e ali mesmo fui contratado para atuar como assessor de comunicação, inicialmente num projeto de seis meses. Na segunda-feira, ao nos encontrarmos, disse que ela poderia começar no dia seguinte, pois já tinha o dinheiro mínimo para contratá-la. Juntos fizemos muitos projetos incríveis naquele hotel, repercutimos a imagem dele para muitas cidades, assinamos programação cultural e gastronômica, inventamos atividades diferentes. Atendemos o Jerubiaçaba por dois anos, colecionando histórias de sucesso e amizades, porque a gente literalmente agitava tudo. Sabe o mais mágico de tudo isso? Natália e eu nos formamos, ela integrou com muito sucesso o meu time, se tornou uma grande amiga e logo me deu a notícia de que iria para os Estados Unidos participar de um programa de au pair. Negociamos o prazo exato para ela encerrar suas atividades na empresa. Seriam dois meses para deixar tudo em ordem, se desligar definitivamente e ainda ter um tempo para preparar sua viagem. Coincidência ou não, acabamos concluindo nosso trabalho no hotel. De forma interessante, o encerramento do contrato com o hotel aconteceu no mesmo dia que seria o último daquela funcionária e amiga tão competente. Hoje executiva numa multinacional americana, Naty mora no meu coração como a pessoa que eu não poderia pagar, mas que com sua competência não só se pagou como entregou seu melhor para o crescimento de minha empresa, simbolicamente abrindo e fechando um contrato de forma criativa e com grande contribuição.

Aqui registro a contribuição de profissionais como Beatriz Puga, Clara Pandolfi, Dani Forti, Daniel Sewell, Débora Ferneda, Gabriela do Prado Teixeira, Gabriela Palheta, Isa Spolidório, Jeneli Wrasse, José Maria Pla, Laura Lemos, Liliane Pacheco, Marcel Yamauti, Maria Carolina Cera, Maria Maruga, Mariana Gandolfi, Mariana Pavonatto, Marina Fabri, Mauro Ortiz, Renan Spolidório, Rodrigo Caetano, Silas Junior, Simone Arruda, Stella Campeão, Susane Trevisan e Tatiane Fernandes.

12O sucesso nos rodeia

Como falamos bastante sobre a importância de se comunicar e compartilhar boas ideias, de não exigir um direito exclusivo sobre os projetos, registro aqui a importante parceria que mantive durante anos com algumas pessoas que me ajudaram a desenvolver o projeto da Casa de Noel. São eles: Juliano Dorizzotto, Cristiane Dorizzotto, Mauricio Colpas, Cristina Anselmo, Hermes Petrini, Fabiane Ducatti e Zahira Neder.

Todos me ajudaram a lançar e sedimentar a Casa de Noel com muito entusiasmo. Os três primeiros me ajudaram bem no início da sua criação, permitindo que eu desenvolvesse o projeto em uma casa de seus pais e assim lançamos a Casa de Noel no ano 2000, quando eu tinha apenas 18 anos. Eles foram influenciados pelo meu entusiasmo.

Então, Cristina se juntou a nós em 2006, fazendo com que a marca Casa de Noel se consolidasse. Gerenciamos e compartilhamos ideias com muita gente boa, como Silvia Storer, Valeska Aguilera, Magá Ometto Maurano, Ana Maria Cerri, Zahira Neder, Hermes Petrini, Marco Guidotti, Malu Canto e Simone Guedes. Assim, conseguimos desenvolver a marca de uma forma única e muito especial.

Com Fabiane Ducatti, entramos numa fase de abertura de novas fronteiras do espetáculo no estado de São Paulo e Paraná. Ela gerenciou um time grande de profissionais de produção como Rafael Popin, Jeferson Takaki, Carlos ABC, Everton Lucas, Marquinhos Moraes e Hermes Petrini, assim como músicos e gestores de projetos com experiência nacional.

Creio que a experiência que tive com essas pessoas só reforça a importância de compartilhar boas ideias, mas acima de tudo somar entusiasmo e sucesso.

13Falando com a massa: Estamos vivendo momentos em que a criatividade é desafiada, estamos

e somos criativos o tempo todo. E você sabe o que é criatividade? Ela é um processo e pode ser estimulado! Mas como? Parando e ao mesmo tempo se movendo! Calma, eu explico.

Como disse, gosto muito da ideia da inspiração que a música me traz. A música é energia pura, estímulo criativo e emoção humana. Não vivo sem música e escuto de tudo. Eu e meus irmãos fomos ninados ao som dos grandes artistas brasileiros, tocando beeem alto. Somos filhos dos anos 80, então sentimos na pele uma música intensa, colorida e afetiva. No abecedário dos estilos, letras e melodias, levantamos e vamos pra pista. Dançar é a deliciosa consequência, movimento e ginga.

Porém, que eficácia teria tanta riqueza da música se eu não parasse para ouvi-la? Veja bem, não estou falando em simplesmente ouvir música no carro ou fazendo qualquer outra coisa. Falo em parar, ouvir e sentir a música, dedicar tempo a ela, porque sei que ela inspira e o quão grande é o seu poder para isso. Quando falo em mover, me refiro a me deixar mover pela inspiração que essa e outras fontes me trazem.

Por isso valorizo os voos, mas também os pousos, porque neles posso ouvir minha música tranquilamente e – ainda que despretensiosamente – extrair dela o máximo de inspiração possível.

Por isso digo: se quer se inspirar, pare (para ouvir) e se mova (se deixe mover)!

Voe!

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