Um protagonista voa para fora do ninho

Capítulo 7 de 7 · Leitura integral

CHeio
de Ideias

“No que diz respeito ao empenho, ao compromisso, ao esforço, à dedicação, não existe meio-termo. Ou você faz uma coisa bem- feita ou não faz”

Ayrton Senna · piloto brasileiro de Fórmula 1
Imagem do livro CHEio de Ideias — página 156

Não foram poucas as vezes em que alguém mais velho, da família ou não, sentiu-se no direito de me dar um conselho que parecia óbvio para ela e suas convenções: deixa de sonhar com bobagens e ganhe dinheiro! Como se tudo que eu fazia profissionalmente não valesse nada, porque se fosse “um pouco diferente” estaria me remunerando muito mais. Foram muitas as vezes em que me senti muito mal, um perdedor por não ter todo o dinheiro que para alguns, àquela altura da minha vida, eu já devia ter ganhado. “Como alguém tão comunicativo não ganha muito mais dinheiro? Deixa de lado esse seu interesse por música, por arte, por espetáculo! Isso não dá dinheiro, isso não dá em nada!”.

E foi assim que ao longo dos anos ganhei cada vez mais força para me sentir um resistente, um progressista por não me deixar levar pelas investidas culturais, financeiras e até machistas que se repetem historicamente, e na minha família não foi diferente. Meu avô Eduardo, por exemplo, cantava no rádio boleros e tangos, mas como um hobby. Ele não pensou em exercer seu talento como profissão, porque ao decidir se casar com minha avó, seu sogro o avisou que teria de escolher entre sua filha ou a vida artística, o que resultou em um casamento lindo e um artista frustrado.

Nunca quis isso para minha vida, então me casei com alguém que sempre me aplaudiu, me apoiou e, principalmente, jamais questionou qualquer iniciativa artística que tive. Quem está fora dessa relação muitas vezes questiona, provoca, pergunta como ela aguenta, chega até a colocar a sexualidade do casal em pauta. Posso falar que nunca liguei para isso? Posso falar que nunca me incomodei por ser quem sou e contar com o afeto e o incentivo das pouquíssimas pessoas que estão na coxia comigo? É isso que me importa!

Os demais julgamentos, pressuposições e preconceitos tiro de letra porque não fazem parte do que acredito, de onde me encontro e da música que toca no meu coração. Talvez na minha família, como em muitas, ainda pairou no ar, nos últimos anos, a ideia de que médicos, dentistas, advogados e construtores são os melhores “partidos” para construir uma família. Eu escolhi ser publicitário, comunicador, empresário e artista. Para muitos, uma dose profissional muito alta de risco, um perigo querer ser tudo isso.

Por ser filho de uma mulher livre, autêntica e que provocou grande desconforto em seus familiares mais próximos, eu e meus irmãos sentimos muito na pele alguns sutis tratamentos ou diferença mesmo, um certo afastamento “para não causarmos muitos problemas”.

Eu só podia vencer esse sentimento, uma espécie de frieza de alguns tios e primos (que a gente demorou anos a entender), de um jeito leve: estando com aqueles que não só de alguma maneira aceitaram meus pais, mas aprenderam a nos oferecer amor como seus frutos.

Infelizmente desde muito pequenos recebemos também algumas influências desastrosas, de gente que se achou no direito de falar mal de minha mãe. Muitas vezes nos sentimos um peso por ter nossos avós idosos ajudando em nossa criação, já que ela não tinha condições de sozinha tocar a nossa vida. A questão do dinheiro não era fácil, porque ouvíamos que ela não trabalhava, gastava tudo, não valorizava o patrimônio. Isso era muito incômodo, uma carga pesada para construir uma relação saudável com o dinheiro, afinal, minha mãe não era reconhecida em seu ninho como alguém que se dava bem com ele.

No meu caso, minha relação com o dinheiro curiosamente sempre foi boa, mas sempre gastei tudo que ganhei e certamente atribuo essa minha não retenção ao desapego que aprendi na cultura familiar. Somente nos últimos anos entendi que precisava amadurecer nesse aspecto com a ajuda de alguns, muito trabalho para gerar receita e grande disciplina para construir um novo mindset para poupar e ter alguma segurança. O aprendizado é duro, mas assumi esse papel com disposição.

Tive a sorte de ganhar e perder muito dinheiro em minha trajetória, mas sobretudo aprender que dinheiro é uma energia e não devemos retê-lo de forma a parar esse fluxo. Mas ao mesmo tempo é importante que saibamos poupar, honrar nossos compromissos, não gastar mais do que ganhamos. É um aprendizado diário, uma oportunidade maravilhosa de se educar

e poder fazer o que quisermos da nossa carreira com uma remuneração minimamente decente.

Eu lembro de muitas vezes em que trabalhei com caches baixíssimos, mas uma vontade enorme. Muitos amigos e até familiares me criticaram que era muito pouco, que eu estava sendo explorado. Mas eu enxergava aquilo como um aprendizado, não me sentia no lugar de ganhar mais do que aquilo porque estava aprendendo e ganhando experiência. Então nunca foi por dinheiro, mas ao longo dos anos entendi que sim, os valores deveriam aumentar porque, além de saber fazer aquilo, de ter aprendido, eu fazia muito bem. Quando amamos o que fazemos e não servimos a interesses escusos, o dinheiro vem!

Hoje entendo que mereço, quero, devo, gosto e posso ganhar mais e melhor com minhas atividades. Paga quem quer, quem valoriza e compreende valor como algo que vai, de verdade, além do preço. Ao longo da trajetória, construí um portfólio rico, onde posso mostrar minha versatilidade profissional, e com forte vínculo que ainda hoje tenho com meus clientes. A seguir, falo um pouco dos meus aprendizados e mostro alguns dos meus cases de sucesso nesses mais de 20 anos perseguindo aquele sonho “que nunca ia me dar dinheiro”.

1Imagem e mensagem: o que realmente importa?

Ao desenvolver projetos de comunicação por tantos anos, acabei atendendo muitos profissionais liberais que precisavam testar, posicionar e aprovar suas imagens no mercado, em seus nichos de atuação a fim de conquistarem mais clientes, reforçarem sua autoridade para os clientes atuais, se tornarem mais conhecidos.

Entendi que existe um caminho, não chega a ser uma receita enlatada, mas algo que a maioria das pessoas pode fazer no aspecto da comunicação, um planejamento de atividades que não chegam a ser complicadas, mas exigem disciplina e um calendário positivo.

Não basta ser bom no que faz, tem que parecer bom! Costumo dizer, inclusive, que é mais fácil parecer bom do que ser de verdade. Mas podemos recriminar quem sabe se mostrar com qualidade nas redes sociais, no online e no offline? Não, apenas acho que quem se garante com qualidade

profissional e não sabe mostrar sua cara na mesma proporção está perdendo oportunidades comerciais e grana.

Nossa imagem, para ganhar melhor performance de visibilidade, deve considerar três nuances: quem somos, quem achamos que somos e como os outros nos enxergam.

Ao desenvolver projetos para fortalecimento de imagem, devemos olhar para esses três aspectos, entender que eles não se tornarão um só, mas que podem andar mais paralelos para que a estratégia e as ações de posicionamento sejam eficientes e seguras. Principalmente para a imagem pessoal, é muito comum que um profissional seja de alta performance na execução, mas seu comportamento ao atender ou se relacionar com as pessoas seja mais low profile. Não é raro vermos pessoas com altíssima performance e conhecimento de ponta não se preocuparem muito com a própria imagem, roupas, cabelos, apresentação do espaço físico. Essa discrição, essa “não vaidade” pode ser prejudicial porque atrapalha a expressão da qualidade, gera cruzamentos que têm até a ver com o preconceito da sociedade em que vivemos.

É como se uma pessoa competente não pudesse usar uma roupa mais despojada. Existe um dress code, alguns padrões específicos para determinados setores do mundo do trabalho. Por experiência, acredito que lutarmos contra eles é perder tempo, principalmente quando nosso objetivo é vender, ter clientes, ser querido pela atividade profissional que exercemos. Profissionais de saúde devem usar roupas limpas e passadas, claras, com design minimalista, afinal sua imagem não pode ser mais importante que a própria saúde de seus clientes. Cabelos presos, postura tranquila e assim por diante, porque conhecer os códigos facilita os negócios. Uma profissional que trabalha com beleza deve adotar para si mesma, como sua primeira cliente, a beleza que ela quer vender, com sucesso, em seu corpo. E assim podemos dar diversos exemplos, sempre lembrando que ninguém vende nada se não acreditar no produto primeiro. Uma vez tive uma conversa com uma assistente comercial cujas vendas estavam caindo muito. Ela me disse com todas as letras que não acreditava no projeto. Como você consegue vender algo sem acreditar?

Na imagem pessoal é assim: se você não acredita que ela está desalinhada, que tem que mudar para servir a novos negócios, não tem o que fazer mesmo. Quando você se dá conta que ela pode se ajustar a novos objetivos profissionais, segue a trilha com determinação e alegria: planejamento de

arquétipos, alinhamento de discurso com imagem, análise de palavras-chave, consultoria de moda e estilo, revisão de plano de ações, cronograma, orçamento, produção de fotos e vídeos, storytelling.

O cerne dessa questão é entendermos que nossa imagem pode vender – e vende. Basta sabermos conduzi-la de forma programática e consciente de que ela deve representar ao máximo um alinhamento entre quem somos de verdade, como os outros nos enxergam e como queremos ser.

2Elementos indispensáveis para um evento de sucesso

Posso afirmar, sem sombra de dúvidas, que já realizei centenas de eventos. Pode até ser que estejamos próximos da casa do milhar.

Considero os eventos uma ferramenta muito eficiente para promoção de marcas, produtos, pessoas e ideias. Entendo que um evento é também uma ação acessível, se houver um planejamento e seguirmos todas as etapas mais básicas para alcançar seus objetivos. Quando bem pensados e organizados, os eventos têm muita força para atender as estratégias de marketing e relacionamento de uma empresa. Eles são visíveis, têm resultados mais mensuráveis e ainda permitem o contato humano. É uma forma de dar cor às ideias, marcas e pessoas.

E o que não pode faltar num evento incrível?

• Tema que foque na experiência e gere interesse. • Diversidade e mix de público: as pessoas são diferentes e se complemen-

tam num universo rico de cores, referências e emoções. • A bebida deve estar gelada e deve ser calculada para não faltar. Existem

previsões eficientes para cada tipo de bebida e suas combinações. • Gelo: tem que ter sempre, nunca é demais. • Garçons, copeiros e recepcionistas, todos com vestimenta impecável. • Os convidados devem estar seguros, assim como seus carros e pertences. • Os banheiros devem ser limpos com frequência. • A comida deve considerar o público e a temática. • Uma pessoa bem-preparada para recepcionar os convidados. • Música de qualidade, seja ambiente, com DJ ou banda. Música ao vivo é

sempre uma ótima sugestão.

• O menu pode ser servido de várias formas, mas uma sequência, em

camadas, pode deixar o evento muito interessante. • Nunca deixe faltar água. • Tenha em mãos uma lista completa com os telefones, e-mails e informa-

ções adicionais de todos os fornecedores. • Tenha uma planilha com o cronograma detalhado do evento e o man-

tenha atualizado. • Faça um checklist das ações do dia do evento, com a planilha de Tempos

e Movimentos (ação, horário e responsável). • Escreva o discurso, se houver, com antecedência. Discursos são de extrema

importância para posicionar a intenção de quem está realizando o evento

e deve ser feito em horário que o público ainda tem disponibilidade de

atenção. A tendência é fazer as falas antes do evento “ficar agitado”. • Se conseguir, decore ou organize-se para que sua fala seja sem papel,

isso é natural e mais efeciente. • Tenha sempre impressos os documentos e as planilhas. Não confie

apenas no digital. • Não pressuponha que todos saberão o dress code do evento. É im-

portante avisar! • Pague bem e em dia seus prestadores de serviço. • Mantenha uma “caixa da vida”, caso haja algum imprevisto: caneta, pa-

pel em branco, tesoura, barbante, pilhas e baterias de vários tamanhos,

extensão, linha e agulha, espelho, lenços umedecidos, tesoura, primeiros

socorros, absorvente, base, batom, pasta e escova de dentes, lenços de

papel, fio dental, entre outros. • Você não deve negligenciar a ambientação, pois é ela que vai garantir

a permanência de seus convidados, proporcionando sensações agradá-

veis por meio de iluminação adequada, decoração, mobiliário e outros

elementos cênicos.

3Produção cultural é coisa séria

Minha primeira produção cultural profissional foi a Casa de Noel, no ano 2000, quando eu tinha 18 anos. Mas antes disso já tinha experimentado empreitadas menores na escola ou em trabalhos informais.

Ainda aos 18 anos, fui trabalhar como programador cultural na cafeteria de uma amiga da minha família, Lili Fadigas. O Café Preto era uma espécie de bistrô com uma pegada brasileira, um caldeirão de sabores com gente interessante, música, arte e outros eventos temáticos. Fizemos muita coisa legal lá. A partir disso me interessei cada vez mais por programação e produção cultural.

Depois do sucesso da segunda edição de Casa de Noel, quando a Società Italiana foi inteiramente reformada, fui convidado pelo seu presidente, Marco Antonio Guidotti, para organizar os eventos de sua retomada como espaço cultural, ocupando o prédio construído em 1904 com atividades diversas como aulas de gastronomia, desfiles de moda, shows musicais, exposições de artes (entre elas a do modernista Cícero Dias) e eventos sociais como casamentos, aniversários e bodas. Foi um aprendizado intenso, de muitas horas dedicadas e que me proporcionou uma grande aproximação dos atores do cenário de eventos no interior de São Paulo: cerimonialistas, decoradores, buffets, produtores, músicos, artistas e outros, ampliando a rede de contatos e aproximando as pautas de jornalistas, radialistas e formadores de opinião. Tudo isso me trouxe grande segurança para trabalhar com divulgação e estratégia com desenvoltura, seguindo o papel de um publicitário, fazendo com que a informação de cada evento chegasse aos seus públicos de interesse.

A produção de shows, por exemplo, é um business bastante rico. Você aprende muito porque olha para os detalhes, especificidades, imprevistos e outros desafios, como gerenciar um orçamento sem grandes erros, caso contrário você tem que colocar dinheiro do seu bolso. Coloquei muito dinheiro do bolso em projetos nos quais cometi erros. Estava ciente de que aquilo não era só uma questão de incompetência gerencial, mas parte natural do processo de aprendizado. Aos poucos fui aprendendo a organizar muito bem o orçamento e as planilhas, prever custos e imprevistos, administrar margens e cachês, entre outras ações.

Já organizei muitos eventos musicais e gosto bastante da produção, da sequência, dos tempos e movimentos, do roteiro. É um grande desafio fazer dinheiro nessa área, mas insistir nela sempre me trouxe muita riqueza e satisfação pessoal. Sou muito ligado em artes e em música, e a magia de um show musical marca muita gente. Nunca fiz só isso, então em alguns momentos podia me permitir não focar aquela atividade em sua remuneração, mas numa imersão de competência e humanidade.

4“Da hora esse natar”

Matéria publicada no site G1, em 25 de dezembro de 2019

A história do Papai Noel piracicabano que começou distribuindo panfletos e hoje circula o Brasil com projeto. Após passar por Natal triste em 1986 e acreditar no Bom Velhinho até os 12 anos, Bruno Chamochumbi chega a 2 décadas com espetáculo que desconstrói imagem comercial da data. Por Rodrigo Pereira, G1 Piracicaba e Região

A primeira história de Natal que o publicitário piracicabano Bruno Chamochumbi se lembra é triste. Perdeu seu pai no dia 8 de dezembro de 1986, quando tinha 4 anos. “Você imagina que tristeza foi o Natal da nossa família”, diz. Ao longo dos anos, a data apontada como a do nascimento de Jesus Cristo se tornou de melancolia e saudade em sua casa.

A forma de contornar isso e amenizar tais sentimentos foi incluir sonho e fantasia. “Minha mãe incentivava a gente a mandar cartinhas para o Papai Noel. Minha família gostava de fazer presépio, todo mundo se reunia, tinha música”, recorda.

Foi assim que ele acreditou no Bom Velhinho até os 12 anos e, aos 15, recebeu a proposta de distribuir panfletos para uma escola de informática vestido de Noel. “E eu me encantei com aquilo de tal maneira que no segundo dia eu já queria esconder o cabelo preto na cabeça, já queria que a barriga [postiça] parecesse barriga de verdade”, revela.

Ali começava a nascer o personagem principal do projeto Casa de Noel, que em 2020 vai completar 20 anos e hoje circula pelo Brasil. Segundo o publicitário, um dos principais objetivos da iniciativa é afastar a visão mercadológica associada à data e conferir brasilidade às suas simbologias.

Bruno, que já tinha feito teatro, trabalhado como palhaço em festas infantis, entre outras atividades artísticas, logo evoluiu em seu sonho natalino e estava descendo de helicóptero no estádio do XV de Piracicaba para animar o Natal ou se tornando o Papai Noel de um prédio iluminado em frente à Praça José Bonifácio.

Aos 18, lançava efetivamente a Casa de Noel, um projeto junto a arquitetos que reunia a criação de espaços natalinos em uma casa e a possibilidade dos visitantes acompanharem a rotina do personagem do Papai Noel pelos cômodos, dormindo, comendo, cantando, como em um reality show.

A partir de 2006, Bruno passa a viabilizar um musical para, assim, consolidar mais a ideia de desconstruir o estigma mercadológico associado ao Natal. Assim, nascia o personagem Papai Noel Cantor.

“Nosso projeto desconstrói a imagem comercial do Papai Noel a partir do momento em que entrega para as pessoas não a bala, não o presente, mas música. A gente mobiliza milhares de pessoas em torno de uma emoção, de um resgate, de uma coisa mais orgânica”, afirma.

Com cantores, banda, diretor de cena, diretor musical e arranjos especiais, o espetáculo leva como uma das marcas o fato de não trazer no repertório apenas músicas natalinas, mas outras que falem de valores humanos.

Solidariedade

Ações sociais também envolvem a atuação do Noel piracicabano. Depois de ficar com seu filho Antonio em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal por 12 dias, quando ele nasceu, Bruno realizou visitas a esse setor, por mais de dez anos, nas vésperas de Natal. “E a gente viveu histórias muito emocionantes dentro do hospital da Santa Casa”, recorda.

Outras situações comoventes, lembra ele, são as que envolvem plateias de pessoas idosas que enxergam no espetáculo o momento da infância. “É um espetáculo muito emotivo, alegre, mas também conecta as pessoas com a saudade da infância”, explica.

A ludicidade

Para Bruno, em tempos de redes sociais, é mais difícil manter a fantasia do Natal e do Papai Noel para as crianças, o que ele considera algo negativo.

“Elas dão um Google em qualquer coisa e ele responde a elas exatamente o que elas estão procurando. Você está desestimulando a criança em um processo lúdico, de construção de personalidades mágicas, de amigos imaginários, uma série de coisas que a criança tinha, em um passado não tão distante, porque ela conseguia nutrir esse sentimento sem muita interferência”, analisa.

Isso, agravado por uma maior individualização, é o motivo do fim precoce da infância na sociedade atual, reflete o publicitário.

“Para mim o Google é ótimo, mas para uma criança de 12 anos pode ser uma ferramenta totalmente depreciativa. E acho que precisa cuidado, trabalhado por meio de iniciativas artísticas, lúdicas, humanas, relacionamento, de conteúdo, de amor, de práticas offline. E é cada vez mais difícil”.

Brasilidade

Outra questão trabalhada por Bruno no projeto é a inserção de elementos brasileiros e até piracicabanos no conteúdo natalino que propaga.

“Como a gente consegue fazer com que o Papai Noel, que é uma figura que ainda hoje é criticada por ser embutida na cultura brasileira, se torne brasileiro? Eu discordo que seja algo só embutido. Concordo que seja algo absorvido”, pondera.

Um dos exemplos de sua preocupação com essa miscigenação cultural está no repertório do show. “A gente faz um passeio do Papai Noel viajando por vários países. Ele canta ‘We Wish You A Merry Christmas’, em inglês, ‘Feliz Navidad’, em espanhol, e aí ele vem para o Brasil e canta ‘Feliz Seja o Seu Natal’ e termina em Piracicaba, onde ele canta ‘Da hora esse Natar, da hora esse Natar, da hora esse Natar, barbaridade que bão”, e aí ele canta ‘O Rio de Piracicaba’”, detalha o publicitário.

A relação e o amor pela cidade ficam evidentes nos relatos do artista. “Se a gente parar para pensar que estamos presentes na cidade de Piracicaba há 20 anos, uma criança que nos assistiu com 3 anos de idade hoje está com 23, 24 anos, e pode até ser um pai de família. Isso pra nós é algo muito importante, É a transformação do olhar de uma geração de uma cidade sobre o Natal, um natal possível, diferente, afetivo”.

2020

Neste ano, o calendário do Bom Velhinho foi encerrado com um espetáculo no começo do mês, em Piracicaba. Em 2020, na comemoração de 20 anos do projeto, está programada a circulação por cinco cidades do Estado, por meio do Programa de Ação Cultural (ProAC), e apresentações em quatro Capitais do País, pela Lei Rouanet.

Em 2018, já tinha circulado em Curitiba, Campos de Jordão, São Paulo, Campinas, Americana, Nova Odessa e Santos.

“Nossa busca é nacionalizar o projeto, para que seja conhecido como um musical de natal brasileiro. E isso só é feito com a trajetória, ano a ano a gente encarando os desafios de se produzir cultura, música e arte no Brasil”.

Imagem do livro CHEio de Ideias — página 167
Imagem do livro CHEio de Ideias — página 167

5M.C. Com CH: O encantamento de ser mestre de cerimônias

Entre as atividades profissionais que exerci na comunicação, encontrei muita satisfação como mestre de cerimônias. O MC, como é conhecida a função em nossa área, tem a missão de manter um evento no alto, dinâmico e interessante aos espectadores, apresentando cada momento, como treinamento, convenção, lançamento de produto e cerimônias diversas. Tive experiências interessantes na função, com as quais aprendi muitos “pulos do gato”, inclusive diante dos imprevistos. No meio de uma de suas palestras que estive como MC para mais de 500 pessoas, o professor Mário Sérgio Cortella ficou sem som em seu microfone. Voltei ao palco e para quebrar o gelo começamos a conversar, brincar, já que o apagão do microfone não dava sinais de melhora. Ele é bastante gentil e bem-humorado, de uma sagacidade impressionante, sempre muito adequado à cada situação. Enquanto se percebia a tensão dos técnicos e organizadores, ele soltou uma piadinha que divertiu demais todos os presentes: “Gente, isso nunca me aconteceu antes, vocês acreditam?”

Além de palestras, sempre gostei muito de apresentar shows e cerimoniais de eventos mais formais, porque a gente aprende muito com a sequência destes eventos, o dress code, quais são os momentos de maior tensão, os gargalos, e sempre tem alguém generoso para nos dar dicas e informações úteis. Essa minha sede de aprender sempre foi uma das chaves para ter participado de grandes eventos como MC.

Outra oportunidade que agarrei com muita alegria e sede de aprendizado foi a apresentação do evento internacional TEDex Rio Piracicaba, um formato oriundo do TED, conceito de muito sucesso com ciclos de palestras que reforçam que as grandes ideias merecem ser compartilhadas. Com a mobilização de muitas pessoas, o evento me deu a oportunidade de montar a sequência das apresentações das entradas de cada palestrante e entrevistá-los para coletar informações. Foi muito rica a imersão num evento com tempos exatos, estrutura multimídia (as emocionantes palestras foram gravadas) e tantos profissionais competentes envolvidos.

Durante a pandemia, uma nova modalidade de eventos tentou dar fôlego ao setor e principalmente às necessidades comerciais de algumas empresas: os drives. Um palco completo montado, com estrutura de luz e som e o público, cada um em seu carro, assistindo shows, cinema, teatro, encontros empresariais e até aniversários. Fui MC de um aniversário de 15 anos e de

alguns eventos corporativos, principalmente do setor imobiliário, com apresentação de lives e toda a estrutura para o lançamento dos empreendimentos.

Já no retorno aos eventos presenciais, fui contratado para apresentar um encontro de vendas de um empreendimento imobiliário, onde estariam presentes donos de imobiliárias para conhecerem os detalhes de um condomínio fechado. Eu adoro esse tipo de apresentação, afinal, você não precisa ser tão formal, pode achar um meio termo para trazer as informações e personagens, a mensagem importante que geralmente é a comercial, o estímulo de vendas. No meio do encontro haveria a apresentação da campanha publicitária feita pela agência de propaganda do empreendimento. Mas houve um problema com o carro do profissional que falaria desse tópico, e no final das contas quem apresentou a campanha publicitária fui eu. Ora, se havia um planejamento e tudo estava numa sequência de slides, porque eu não poderia fazer isso? E tudo correu muito bem, como se eu conhecesse aquele planejamento publicitário havia muito tempo. Aí você pode brincar que eu dei uma boa “enrolada”, não é? Respondo que não, porque conheço a dinâmica das campanhas publicitárias e sua essência. Captei tudo que pude no ato da apresentação, usei minhas referências e consegui passar a mensagem. É sempre assim? Não! E não deve ser. Mas, diante de emergências, a gente se adapta e mantém a prioridade da comunicação: transferir informação de forma objetiva.

6O rádio é jovem!

Em 2001, aos 19 anos, fui até a Rádio Jovem Pan FM, primeira afiliada da rede, para pedir uma oportunidade. Sempre gostei muito de rádio, jornal, revista e TV, os veículos tradicionais de comunicação de massa.

A primeira oportunidade de falar na emissora foi feita num flash ao vivo. Eu entrava no ar para fazer, durante o break comercial, uma chamada de determinadas empresas de varejo, como lojas, concessionárias e outros estabelecimentos que queriam mostrar suas promoções e descontos. Aos poucos fui me encantando com a oportunidade de falar com mais pessoas, mais cidades, compartilhando ideias, notícias e bordões. Gostava muito de ir às festas para chamadas, apresentar palco e distribuir brindes promocionais com a camiseta da rádio. Eu já tinha um senso corporativo!

Aos 24 anos, apresentei o projeto de um programa semanal para o diretor da Educadora AM, rádio tradicional de Piracicaba. A ideia era abrir uma janela para a alegria, todos os sábados das 10h às 11h. O “Programa Janela das 10” foi um despertar para a produção de conteúdo, numa época em que as redes sociais ainda não eram a tônica. E me encantei com a possibilidade de entrevistar pessoas de diferentes perfis, contar histórias, motivar o público e ainda colocar músicas de presente aos ouvintes.

Em 2008, aos 26 anos, fui convidado pela Rádio Jovem Pan FM para reeditar um quadro da rádio, com notícias da cidade. Foi com o “Piranews” que aprendi a fazer reportagens, escrever de forma concisa, gravar com a voz adequada, selecionar pautas e dosar humor com certa personalidade. Tive três professores neste processo: o diretor Jairinho Mattos, o técnico Rogerio Leme e a jornalista Cris Sanches, que por alguns anos intercalou comigo as gravações do programete. Antes dela, tive o apoio da Gabriela Teixeira, que trabalhava na MBM e na época tinha acabado de se formar em rádio e TV pela Unesp. Eram cinco inserções diárias com notas, notinhas e notícias da vida cultural, social e de negócios da cidade e da região de Piracicaba. Foi neste projeto que nasceu o bordão #TudoComCH, já que eu brincava muito com a sonoridade do meu sobrenome.

Doze anos depois, em 2020, mudei o rumo da minha trajetória no rádio. Fui para um novo desafio na Rádio Onda Livre FM. Eu já havia trabalhado em alguns projetos com eles e com o diretor da rádio, Lourenço Tayar. Por quase dois anos assinei um grande volume de módulos de entrevistas gravadas e ao vivo com personalidades regionais, artistas e formadores de opinião. Aprendi muito com a dinâmica das notícias que mudavam diariamente.

Logo me vi no desafio que mais provocou meu amor pela linguagem do rádio: estar diariamente no ar com um programa de variedades com a minha cara e personalidade. O “Café com Pan” é uma forma leve e jovem de oferecer conteúdo em forma de colunas, entrevistas e notícias. A Jovem Pan News Piracicaba tem o pioneirismo de ser a primeira emissora a migrar da frequência AM para a FM, e tive a sorte de acompanhar todo este processo interagindo ao vivo com ouvintes em mais de 24 cidades da região metropolitana de Piracicaba, além da audiência na web.

Depois de tantos anos consecutivos no ar, fico feliz com o reconhecimento diário, seja pela voz, pelo nome, pela imagem. Agradeço sempre e faço festa a cada demonstração de carinho e respeito.

Em tempo, sou testemunha de que o rádio é o veículo de comunicação mais poderoso e capilar, alcançando milhares de pessoas e se posicionando como uma das tradicionais mídias que, além de não morrer, segue forte e jovem.

7O vendedor de CDs

Era um dia da semana e sentei num barzinho para um happy hour com amigos. Logo apareceu um cara simpático e muito sorridente oferecendo um CD. Começamos a conversar e descobri que ele era o próprio artista do CD. Com seu amigo Peqnoh, estava desenvolvendo um trabalho muito legal, o álbum de música “Avise o Mundo”, eleito entre os 30 melhores de 2015 pelo site “Noticiário Periférico”. Comprei vários CDs e conversei horas com ele, parecia que já nos conhecíamos havia anos.

Daniel Bidia Olmedo Tejera, ou Daniel Garnet, é mestre em Ciências da Motricidade pela Unesp (Universidade Estadual Paulista), onde defendeu a dissertação “Rap: o duelo de rimas no cotidiano do jovem”. É um dos idealizadores do evento Batalha Central, contemplado entre outros projetos com o Prêmio Hip-hop/Funarte (2014). Foi pesquisador no projeto “Reconhecimento e afirmação de histórias e culturas afro-brasileiras”. Por meio do hip hop, sua obra propõe diálogos entre os ritmos contemporâneos, ancestrais e tradicionais.

Atualmente, é mentor no curso online de própria autoria Jornada do MC, e teve seu primeiro álbum solo lançado em 2022, o “Afrotrapicália”. Nele, o artista experimenta a mistura dos afrobeats, com a poesia e as batidas de música eletrônica do trap, na intenção de valorizar a brasilidade.

Toda vez que nos encontramos, sentimos a felicidade da amizade e a imensa admiração profissional um pelo outro. Abraço seu sucesso, sempre peço uma rima e vibro com sua inteligência. Como se não bastasse, esse cara incrível é professor! Que honra a minha ter encontrado no vendedor de CDs um artista nato, um ser humano completo e um amigo para a vida toda!

8Trabalhar com vidas para enxergar melhor a própria vida

Em 2016 organizei o primeiro livro da minha carreira, “O Som da Pétala Ágata”. As poesias do jornalista Paulo de Tarso Porrelli foram ilustradas por Rafael Borges em um formato pocket, com textos rápidos e muito sensíveis. A partir desse primeiro livro, me interessei muito em entender o funcionamento do mercado editorial. Já havia participado do lançamento de diversos livros e da organização de suas noites de autógrafos, como da minha tia Rê Fernandes, do arquiteto Celso Laetano e do arquiteto e construtor Adolpho Lindenberg.

Mas eu queria me embrenhar mesmo no assunto, entender cada etapa da produção de um livro, da editoração, das fotos, da burocracia para registrá-lo, do texto e imagem e todos os demais detalhes. Já tinha produzido muitas revistas (“Casa Cor Interior”, “Village Arte Decor”, “Revista Tutti”, “Revista Monte Alegre” e outras para empresas e indústrias), além de uma infinidade de materiais publicitários, mas considero que um livro é algo completo, que nos provoca a aprender e cuidar de cada detalhe para que ele se realize de forma eficiente.

Conversando um dia com meu cliente de tantos anos, Kiko Uliana, fundador do Grupo Indusparquet de Tietê (SP), começamos a pensar juntos em eternizar a história de seu pai, Idrico Uliana, que ajudou o empresário e seu primo José Antonio Baggio a criarem o parquet. Ele queria contar de forma leve e emocionante história de seu pai, que aos 97 anos ainda era um homem bastante forte e de memória afiadíssima. Para esse projeto chamei minha amiga Andrea Mesquita, uma excelente jornalista que já havia participado de outras ações comigo. Ela escreveria e eu organizaria tudo. Ao longo do tempo fomos nos encantando com as histórias de “seu” Idrico, de sua família e conquistas. Andrea especialmente criou um vínculo muito forte com ele, pois de julho a novembro de 2017 o visitou semanalmente para coletar as entrevistas e histórias. Em novembro, um susto: seu Idrico quebrou o fêmur. Por conta de ficar na cama, ele acabou tendo problemas pulmonares, agravados por um enfisema já existente, e morreu em 13 janeiro de 2018. O texto havia ficado pronto em 9 de janeiro, quatro dias antes de sua partida. Andrea levou uma cópia impressa do texto. Por estar muito cansado por causa da pneumonia, ele pediu para dormir com o documento embaixo da cabeça. A impressão que temos é que, mais do que ler a história

que ele sabia tão bem por tê-la vivido, ele queria que tudo aquilo escrito fosse conhecido pelas pessoas.

Lançamos “Histórias de um mestre – ‘Causos’ e memórias de Idrico Uliana, um homem à frente do seu tempo”, no dia 19 de maio, nos 70 anos de Kiko, numa grande festa emocionante. Nesse mesmo dia conhecemos uma amiga da família que estava muito emocionada. Linda e deslumbrante, Kelly Zanchett me chamou e perguntou se eu faria o livro do pai dela, que havia morrido em 2015. Antonio Zanchett havia sido um grande empresário do setor do papel, fundador da holding Technocoat. Assim como a trajetória de seu Idrico, a dele foi marcada por uma infância e juventude humildes. Além disso, ambos haviam sido muito visionários em suas áreas e extremamente trabalhadores.

Começamos o projeto em agosto de 2018, quando eu e Andrea fomos para Curitiba, onde ficamos uma semana e nos encantamos e identificamos com a história da família. O carinho com que fomos tratados por Kelly, seu irmão Christian, sua mãe Norma e todos os outros parentes foi enorme. Viajamos para Santa Catarina, onde fizemos o caminho de volta daquele que começou como funcionário de manutenção de fábrica de papel e terminou a vida como mega empresário. Foram momentos muito emocionantes, com entrevistas entremeadas por choro e risos daqueles que tinham convivido intimamente com o saudoso “Toninho”, como era carinhosamente chamado por todos. A visita à casa de dona Yole, sogra do biografado, em Lages, foi especialmente emocionante para Andrea, uma catarinense de nascimento que muito pequena havia saído de sua cidade natal e para onde voltava na infância e adolescência passar as férias. O café da tarde de dona Yole a levou de volta às suas chegadas à terra natal, quando era carinhosamente recebida com a mesa posta da mesma maneira, tarde da noite, por um casal de amigos de seus pais.

Para mim, o momento de extrema emoção foi a visita aos irmãos de Toninho em Abdon Batista, uma cidade muito pequena, de menos de três mil habitantes. A conversa com todos em volta da mesa, o almoço feito com capricho no fogão de lenha, o chimarrão oferecido como prova de amizade, a emoção de todos ao falar de Toninho me fizeram, ao sair daquela casa, chorar como criança por aquela vivência tão simples e ao mesmo tempo imensamente rica em sentimentos.

Andrea me propôs fazer da entrega do texto para Kelly um momento especial, o levando presencialmente a Curitiba no dia que faria quatro anos

da partida de Toninho, em março de 2019. Decidimos fazer uma surpresa e combinamos tudo com Christian que generosamente nos ofereceu as passagens de avião e hospedagens. Kelly estava triste aquele dia, mas concordou em ir jantar com a família após a missa em memória do pai. O susto que ela levou ao nos ver chegando no restaurante é inesquecível! Por fim, em julho do mesmo ano, apresentamos o livro “A Vida de Antonio Zanchett – Um legado de amor e sucesso” em uma festa para amigos, família, funcionários e empresários de Curitiba, onde a emoção se fez presente o tempo todo.

Eu estava no escritório da arquiteta Cris Furlan tomando um café com ela para levar minha ideia de um novo projeto: um livro para comemorar seus 20 anos de carreira. No começo, ela achou um pouco loucura. Fiz os cálculos e encontramos viabilidade numa linha editorial com design elegante, com a parceria de empresas e fornecedores de projetos. O lançamento de “Cristiane Furlan – 20 anos de arquitetura” aconteceu em novembro de 2019 com muito sucesso. Como resultado, um livro com pegada biográfica onde colocamos suas principais obras: a primeira premiada, os apartamentos, casas, escritórios e participação em mostras. Contar a vida profissional dessa arquiteta por meio das imagens de seus projetos foi um grande privilégio. Como uma daquelas coincidências da vida, Cris teve a difícil despedida com seu pai apenas alguns meses antes do lançamento de seu livro. Mais uma vez a vida se manifestou entre o morrer e o nascer.

Em 2020 começamos mais um projeto que movimentou nossa rotina. O médico Saulo Cardoso nos procurou para ajudá-lo a realizar seu sonho de vida. Durante décadas ele reuniu pensamentos em forma de frases curtas (chamados de aforismos), letras de música e poesias. Ao deparar-me com os textos, minha admiração por ele que já era enorme aumentou ainda mais. Uma vida dedicada à saúde e às palavras. Desenvolver esse projeto foi muito importante, um aprendizado de como as palavras têm força e podem sim transformar vidas. “Atos e Fartos” foi lançado no mercado editorial em 2021.

Depois de encontrar tantas emoções e inspirações numa conversa com minha amiga Rose Lira, especialista na produção de livros, decidimos colocar a minha história no papel. Em princípio me questionei se eu teria tanto para falar como aqueles personagens que passaram pela minha caneta, em projetos que coordenei. Minha surpresa foi grande porque a resposta se concatenou com meu momento pessoal: tenho, sim, muitas histórias para compartilhar, inspiradas também pelas vidas que conheci com meu trabalho

editorial. E posso falar? Acho mesmo que todos temos histórias para contar, toda vida dá um ou mais livros!

Ao me aprofundar nos processos biográficos de tantos personagens interessantes, me emocionar e vivenciar um pouco de suas vidas, entendi que deveria me aprofundar no meu próprio caminho biográfico. Como cura, como forma de agradecimento, como imersão. Encontrei em 2021 o trabalho de uma profissional que conheço há tantos anos, mas que a partir dessa aproximação se tornou uma figura de grande importância em minha trajetória, uma amiga verdadeira, uma espécie de mentora do futuro. Tarcila Rubio tem formação antroposófica, forte influência de sua mãe e nos últimos anos se aprofundou nos processos de terapia biográfica. Passar por esta terapia, na qual desenhei, pintei, escrevi e contei todos os setênios de minha vida, foi um processo rico e muito importante para entender que na vida as coisas mudam, as dores e sabores passam. A teoria dos setênios fez muito sentido, consegui olhar para minha história e entender que nela, sendo protagonista, devo organizar cada vez melhor a relação com cada personagem, passageiro ou definitivo. Lembro-me de ter revivido histórias que pareciam esquecidas, chorado lágrimas que pareciam ter evaporado, mas na memória e no coração tudo aquilo que a gente viveu se torna uma referência, um sentimento, uma atitude, parte de nossa personalidade, não vai embora de nosso íntimo.

9Carnaval das Marchinhas

Em 2001, minha amiga Lili Fadigas e um pequeno grupo de amigos fizeram uma festa de Carnaval bem pequena no espaço do Café Preto, onde eu tinha trabalhado como programador cultural. Acabei não indo à festa, mas em 2002 fui chamado com nosso amigo Tayo Cunha para participar da organização do evento. Conseguimos fazer um acordo com a Società Italiana para organizar um baile que a partir daquele momento seria o “Carnaval das Marchinhas – Festa à Fantasia”. A proposta do evento é resgatar o carnaval genuíno, do passado, com marchinhas, marchas-rancho e sambas-enredo, com o orgulho de sermos brasileiros e nos divertirmos fantasiados.

Depois de cinco anos acontecendo com muito sucesso no salão da centenária Società Italiana, onde se fortaleceu como uma das mais charmosas

festas de Carnaval de salão do interior, com um clima único de resgate, o evento acabou crescendo muito e precisou de um espaço maior, e passou a ser realizado no Clube de Campo de Piracicaba. Entre os anos 2007 e 2020 (duas semanas antes da pandemia), a festa foi um grande sucesso. Por 20 anos, alegramos milhares de pessoas, aprendemos a fazer grandes eventos e, sobretudo, construímos uma marca de memórias, baseada na alegria e no saudosismo. Tivemos desafios, ganhamos dinheiro e unimos gerações.

10Samapi Distribuidora

Em 2011 comecei um projeto para atender o crescimento de uma empresa tradicional do interior de São Paulo. A Samapi Distribuidora de Produtos Farmacêuticos, de Piracicaba (SP), iniciou suas atividades em fevereiro de 1965, pela mente brilhante de Aref Sabbagh e seus sócios José Massuh e Carlos Pinesse. Ele visitava médicos para divulgar marcas e produtos farmacêuticos e a resposta era tão positiva que logo ele recebia a informação de que os pacientes estavam com dificuldade de encontrar aqueles itens nas farmácias.

Foi assim que Aref e a Samapi cresceram, ampliando sua atuação junto aos médicos, marcas e farmácias, participando de forma mais efetiva da cadeia de abastecimento dos produtos, garantindo melhor performance comercial das marcas que ele mesmo divulgava. Com muita determinação, Aref participava de todas as etapas do processo: divulgava, fazia propaganda, trabalhava as amostras com os médicos, garantia que as farmácias teriam os produtos e ainda entregava.

Hoje com estrutura de governança familiar profissional, a empresa está em sua segunda geração. O grupo conta com cinco empresas, entre elas a Samapi Cirúrgica, uma bandeira de varejo pioneira no lançamento de produtos, marcas e projetos.

Depois de consolidada e com atuação muito forte, que hoje chega a 95% dos múnicipios do estado de São Paulo, atendendo mais de 600 cidades, a Samapi entendeu que precisava se posicionar melhor enquanto marca, como uma empresa de grande porte com foco na comercialização e distribuição de produtos farmacêuticos (acessórios e correlatos), ou seja, tudo aquilo que não são medicamentos e que podem ser encontrados em farmácias ou drogarias, distribuindo produtos e suprimentos para as áreas farmacêutica,

de perfumaria e hospitalar, contribuindo assim para a saúde, qualidade de vida e bem-estar.

Nosso primeiro projeto na Samapi durou quase três anos. A ideia era criar uma nova marca, uma identidade corporativa compatível com o volume e a força da distribuidora no mercado. Logo começamos a movimentar e integrar a empresa toda e a desenvolver vários setores, como televendas, telemarketing e SAC, treinamentos, materiais impressos, papelaria, logística e propaganda, entre outros. Implantamos muitos padrões técnicos e linguagens de marketing importantes.

Um grande passo para o fortalecimento da marca foi a reestruturação do logotipo, o que culminou em toda a mudança de layout e identidade visual, impulsionando também o departamento de marketing e vendas.

Outra ação importante para a Samapi foi a criação do departamento de atendimento ao cliente (SAC), o qual aumentou ainda mais a credibilidade e confiança dos clientes, oferecendo atendimento em período integral, auxiliando, tirando dúvidas e resolvendo eventuais problemas em relação às entregas, produtos e serviços.

Participamos de um momento importante da empresa, que foi a ampliação de sua rede de atuação para a região Noroeste do estado, com a captação de recursos via trade marketing. Fizemos o projeto do primeiro catálogo e ainda a primeira convenção de vendas, que logo fortaleceram a mudança para uma sede maior e com mais estrutura logística.

O departamento de Recursos Humanos (RH) também foi reestrurado para atender a nova realidade da empresa, que hoje conta com mais de 120 funcionários, 50 representantes de vendas e gerentes comerciais. Coordenado pela psicóloga Cristina Navarro Castro com conhecimento e inovação, o departamento tem políticas bem definidas de RH, desenvolve ações de endomarketing, contrata e integra novos profissionais, treinamentos e programas como SIPAT (Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho) e CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) e conscientização dos colaboradores.

Sempre conto uma história divertida e ao mesmo tempo um exemplo de que uma empresa pode melhorar cada vez mais. Por mais bem-sucedida e lucrativa que a Samapi foi em toda sua trajetória, ela jamais perdeu o padrão humano e a simplicidade de seus gestores.

Com mais de 100 fornecedores, entre eles grandes indústrias farmacêuticas, a empresa sempre recebia diretores e executivos para reuniões. Um

dia, no auge de nosso projeto de expansão, descobri que executivos de uma multinacional visitariam “seu” Aref na sede da Samapi. Foi a oportunidade de ouro para “reclamar” para ele de algo que eu não me conformava e não “engolia”, e pleitear uma mudança que seria estratégica em nosso projeto de expansão. Disse a ele:

- Como uma empresa deste tamanho não tem uma recepção à sua altura e das empresas importantes com que ela se relaciona? O senhor precisa ter uma máquina de café top, um bebedouro excelente, móveis de design e uma recepção moderna e organizada. Não é possível termos esse sofazinho (era um sofá pequeno que ele adorava), rasgado e velho. O senhor é grande e seus parceiros têm que enxergar vocês como grandes!

Até hoje a brincadeira que fazem comigo na empresa é que seu Aref mandou trocar o tecido, mas não trocou o sofá.

Seu Aref está com idade avançada e hoje é sucedido pelo filho Paulo P. Sabbagh, que cresceu no grupo e coordena todas as suas empresas e atividades de forma determinante para a sucessão delas, levando adiante as diretrizes e valores que sempre nortearam a Samapi. Sua tia Márcia Sabbagh, irmã de Aref, era uma grande força do sucesso do grupo e diretora financeira da companhia. Era muito atuante, acompanhava de perto o dia a dia da empresa, conversava diretamente com os clientes que viam nela uma base de confiança e apoio, conhecia tudo, os profissionais, as demandas da Samapi e dos funcionários, sempre estendendo a mão a todos que precisassem, nunca deixou de atender, conversar e ajudar.

Ela faleceu em 2020, devido a um ataque cardíaco, e deixou muita saudades em todos que tiveram o prazer de sua convivência.

Sempre me emociono muito por lembrar do Aref e da Márcia, empresários de alta performance que nunca deixaram o carinho pelas pessoas, o lado humano, e não permitiram que interesses maiores os impedissem de fazer o bem aos outros, sempre com muita ética e comprometimento. Isso é refletido em Paulo e também no gerente administrativo, Alfredo Meyer, que administra a empresa há mais de 30 anos de forma entusiasta e determinada, desde que ela era apenas uma “portinha”.

Muitos dos funcionários da Samapi estão há décadas se dedicando à empresa, realizando cada vez mais projetos e mantendo a tradição de um negócio familiar que ainda tem muito a crescer. Hoje sua meta é organizar ainda mais as ferramentas de vendas e marketing, ampliar suas estratégias

de trade marketing, abrir novos portfólios de produtos e passar a atender 100% dos municípios do Estado de São Paulo, com entrega em 24 horas.

Um case de sucesso que me dá muita alegria pois me vejo nele, vejo a importância do meu trabalho em sua história e me sinto percebido em sua trajetória.

11I Love Pira

Em 2017 estávamos em grande processo de crescimento. As ideias e projetos borbulhavam. Tínhamos grande proximidade com a BR Malls, marca dona do Shopping Piracicaba à época. Foi com eles que conseguimos realizar ações de marketing muito eficientes, com o principal objetivo de aproximar os lojistas da comunidade regional.

Mayra Rodrigues, gerente de marketing na época, encomendou um projeto que ocupasse uma das lojas com cota de promoção com uma ideia diferente, uma proposta de inovação e economia criativa.

Concebemos uma ideia bem “fora da caixa”: uma incubadora de empresas que reuniria numa mesma loja três marcas pequenas que não conseguiriam ser donas sozinhas de uma loja, mas sim de forma cooperada.

Foi uma experiência muito positiva, porque a ideia era abrir as fronteiras para que as marcas hospedadas naquele ambiente se desenvolvessem comercialmente e desmistificassem, para si e para outras empresas pequenas, o modelo de operação em shopping. Foi um sucesso! Então nos reunimos com as marcas Saboaria da Menina e Quinoa Comida Saudável. I Love Pira era uma marca muito jovem, que tinha como objetivo oferecer presentes, brindes e souvenirs com a temática de pontos turísticos, o sotaque, personagens e simbologias próprios de Piracicaba.

Ao longo dos anos crescemos e nos tornamos uma referência de qualidade e personalidade única do caipira que tem orgulho de suas raízes e gosta de promovê-las em sua cidade e fora dela. Hoje a marca se expandiu e comercializa seus produtos de forma online e em pontos físicos, como a Mosaico Loja Colaborativa.

12Colégio Polibrasil: Depoimento Luiz Andreelo Filho

Em 1970, eu tinha o escritório de contabilidade Soparc, e precisava de auxiliares para trabalhar, e na época o único equipamento que existia era a máquina de escrever. Comprei então a Escola de Datilografia Presidente Kennedy, e costumava selecionar nossos melhores alunos para trabalharem conosco ou com nossos clientes.

Chegou a década de 80 e com ela a explosão da informática que revolucionou tudo. As máquinas de escrever foram substituídas por computadores e a escola passou a formar centenas e centenas de jovens para o mercado de trabalho.

No final da década de 90, passamos a ser conhecidos como Colégio PoliBrasil e iniciamos os cursos técnicos em Informática, devidamente reconhecidos pelo MEC e pioneiros em nossa região, ofertados até hoje com outros cursos técnicos. Também passamos a oferecer o curso de inglês, uma vez que o idioma é bastante importante para quem trabalha na área de TI. Ao longo da nossa trajetória nos consolidamos com sucesso no mercado, recebendo seguidamente o prêmio Top of Mind por vários anos.

Nessa época conheci o jovem Bruno CH, que estudava conosco. Por sua facilidade de comunicação e vontade de empreender, ele começou a nos auxiliar na captação de alunos. Como a escola estava e continua localizada na área central da cidade, na época do Natal compramos uma roupa do Papai Noel para ele, e nas ruas e na praça central (José Bonifácio), ele entregava balas e chocolates para as crianças e jovens, sempre com o tradicional “HoHoHo”, e convidava a todos para conhecerem nossa escola.

Ele incorporou tanto a figura do Papai Noel, que passou a fazer parte da vida dele e criou a Casa de Noel, que se transformou hoje em um maravilhoso espetáculo requisitado por todos.

O Colégio PoliBrasil acompanhou a evolução e nos últimos anos passou a oferecer desde o Ensino Fundamental I até o Ensino Médio, completando o ciclo da educação básica, sempre aliando o conhecimento da informática e do idioma inglês e cursos técnicos.

Também fizemos parceria com a Ulbra (Universidade Luterana do Brasil) e nos tornamos um Polo Regional Ulbra, que oferece centenas de cursos universitários pelo sistema EAD.

Digo que nosso colégio cresceu, nossa empresa cresceu e evoluiu junto com a tecnologia. É maravilhoso ver alunos como Chamochumbi brilhando no mercado de trabalho, conectados com nossa história.

13Blu Esmalteria: Depoimento Giselle Ghirotti

Sou de São Pedro e morei 13 anos em São Paulo, porque sonhava em ser executiva na cidade grande. Na capital, trabalhei em uma empresa por quase dois anos, onde conheci meu marido, e então recebi uma proposta de outra empresa de consultoria financeira e contabilidade, onde fiquei 11 anos. Minha formação é técnica em Contabilidade, curso superior em Administração Hoteleira, depois fiz pós-graduação em controladoria no Mackenzie e um MBA em Gestão Empresarial na FGV (Fundação Getulio Vargas). Na segunda empresa onde trabalhei, em São Paulo, entrei como analista financeira e saí como sócia por volta de 2017.

Durante esse tempo na capital casei e tive minha primeira filha. Em 2016 veio minha segunda gravidez, um menino, e descobrimos que ele teria necessidades especiais. Eu e meu marido já estávamos um pouco cansados da loucura de São Paulo, então chegou a hora de voltar para o interior, e resolvemos morar em Piracicaba. Vim com o objetivo de abrir uma filial do escritório que eu era sócia em São Paulo, porém por questões de saúde do meu filho não consegui tocar esse projeto e resolvi me desligar definitivamente da empresa. Parei de trabalhar por um ano para me dedicar 100% ao meu filho. Depois desse tempo parada queria fazer alguma coisa, e como precisava de flexibilidade de horário para acompanhar meus filhos, decidi empreender. Quando parei de trabalhar comecei o MBA de Gestão Empresarial na FGV. O TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) era um Plano de Negócios, e comecei a desenvolver a BLU Esmalteria. Pegava todas as informações e entrava em contato com as franquias da área para formar meus números, juntei e montei o plano de negócios. Quando chegou o momento de pensar no marketing entendi que precisava de ajuda.

Eu havia feito um pré-projeto, pois tinha essa matéria no MBA. Meu marido é de Marketing e me incentivou muito a terceirizar isso, porque eu não era de Piracicaba, não conhecia ninguém, ninguém me conhecia e

precisava dar visibilidade para a marca. O nome do Bruno me foi indicado, mandei meu plano de negócios, acredito que ele olhou e pensou “acho que essa menina sabe alguma coisa”. Então ele me trouxe um leque de opções do que eu deveria fazer e me senti numa loja de doce olhando para a prateleira e falando “acho que quero todos”. Peguei todo o leque de opções. Fizemos uma inauguração presencial, um coquetel com convidados especiais, trouxemos o jornal, levamos para a rádio antes mesmo da inauguração, e fomos para o Instagram para quem curte mídias sociais. Assim pegamos um pouquinho de cada coisa, de cada público. Além disso teve o soft opening, uma inauguração fechada só para convidados que foi um sucesso!

Como vivi muito tempo em São Paulo, pensava que ninguém precisava saber quem eu era, que ninguém se importava se estou bem vestida ou não, de quem sou filha, como vou para o trabalho, enfim, lá eu passava despercebida, mas Bruno me falou que aqui a minha “carinha” teria que aparecer. Contestei que o negócio não era a Gisele e sim a BLU, e ele falava “aqui não é assim que funciona”. No início foi um choque, porque para mim eram coisas distintas. Hoje vejo que isso foi essencial, pois ele me trouxe uma realidade da qual duvidei no começo.

O tempo me mostrou que Bruno estava certo. Eu não mexia no Instagram, não sabia como fazer stories, o primeiro que fui gravar tive que pedir ajuda a uma manicure. Comecei a aparecer com frequência e fizemos outras ações depois, alguns patrocínios, minieventos, reuniões e todo o tempo ele me colocava nas coisas, e eu sempre topava tudo. Isso tudo foi fundamental, então toda a questão de visibilidade e posicionamento foi uma coisa muito importante. Por fim achei meu público, pois comecei a falar nos canais certos e com as pessoas corretas. Bruno me ajudou muito na questão do nicho, do público-alvo. A visibilidade e posicionamento foram as duas maiores vantagens que tive com seu trabalho.

Hoje, após mais de 5 anos de Blu Esmalteria, acredito que estamos muito bem posicionados e que consegui, claro que com muito esforço e trabalho duro, meu e de toda equipe que segue comigo, incluindo Bruno, colocar a Blu onde eu desejava, ser referência como um salão de beleza com foco em bem-estar, um lugar diferenciado que acolhe e proporciona para as clientes o melhor momento de relaxamento e autocuidado, uma pausa na correria do dia a dia!

14Construtora Adolpho Lindenberg

Em 2011, atenta ao potencial de crescimento do interior paulista, a Construtora Adolpho Lindenberg, sediada em São Paulo, anunciou investimentos da ordem de R$ 190 milhões para dois projetos de alto padrão em Piracicaba. Fundada em 1954 pelo engenheiro e arquiteto Adolpho Lindenberg, a Construtora hoje é nacionalmente conhecida pelos seus empreendimentos de alto luxo que reúnem qualidade, bom investimento, apuro estético, boas soluções arquitetônicas, excelência no processo construtivo, inovação e um relacionamento próximo e duradouro com seus clientes.

Foi nesta atmosfera que a empresa chegou em Piracicaba e procurou por um time que a representasse e organizasse sua agenda de eventos, comunicação e relações públicas junto ao seu departamento de marketing. Fomos recomendados e contratados, e ficamos responsáveis por todos os planejamentos de assessoria de imprensa, relações públicas, redação de informativos e releases, cerimonial para eventos, mapeamentos de mercados e oportunidades, e ainda pela inovação. Começamos atendendo essas demandas apenas para os projetos de Piracicaba, e com o passar dos anos de parceria também participamos de ações em outras cidades do estado como Jundiaí, Santos, Osasco e até na capital.

No aspecto da inovação, conseguimos criar projetos de eventos muito diferentes, como a reprodução de uma planta do Trio by Lindenberg em loja do Shopping Piracicaba, e ainda a primeira mostra vertical de arquitetura do interior de São Paulo, chamada Trio Decor Experience. Foi do MBM Escritório de Ideias a articulação de todo esse projeto, desde escolher e convidar os profissionais participantes até formar parcerias com empresas, além de sua divulgação em toda a região.

Fizemos muitos eventos em seu rooftop quando o Trio ficou pronto. Participamos das articulações na criação de pelo menos dois apartamentos decorados no Lindenberg Timboril, assinados pelos renomados arquitetos Celso Laetano e Cris Furlan. Levamos profissionais de arquitetura para conhecer um dos maiores apartamentos do Brasil, construído pela Lindenberg, com 1.223 metros quadrados, no bairro Panambi, em São Paulo.

Nossa parceria durou oito anos, sempre com um excelente relacionamento com todos da Construtora, em especial com seu departamento de marketing, principalmente com as coordenadoras Renata Ikeda, Carla Fernandes e Natália Serra. Também destaco a relação próxima que tivemos

com os diretores Adolpho Lindenberg Filho e Marcelo Buazar, assim como seus executivos Charles Nader, Luciana Saul, Arthur Capella, Rosilene Fontes, Samantha Oliveira, Sidney Rechelo e Bruna Deiab.

15Village Arte Decor

A data oficial e inauguração da primeira edição do Village Arte Decor, evento que reúne as tendências de arquitetura, decoração e design, é 29 de outubro de 2015. Mas muito antes disso, em 2000, eu já me aventurava nesse universo de mostras do setor com a primeiríssima edição de um evento deste tipo em Piracicaba, com a criação da Casa de Noel, em um sobrado localizado na rua Governador Pedro de Toledo. A mostra realizada na época do Natal foi um grande sucesso pelo seu pioneirismo, ocorrendo no ano seguinte como encerramento da reforma completa da Società Italiana, onde aconteceu nos anos seguintes até 2006.

Em 2008, fui chamado pelo meu amigo Paulo Ferretti, grande professor e consultor de Gastronomia e Hospitalidade, para ajudar na divulgação do restaurante que ele estava operando na Casa Cor Interior, em Piracicaba. Neste momento conheci Eduardo Pelaes, que era o principal executivo da mostra, e tivemos boa afinidade profissional. Cinco anos depois o MBM foi contratado para ser a empresa oficial de comunicação do evento, além de fazer sua revista. Além dessa edição, também ficamos responsáveis por elaborar as revistas das mostras de Campinas e Santos.

No final de 2014 a Casa Cor Interior deixou de ser realizada, e Eduardo, que era nosso elo na confecção da revista e divulgação da mostra, me contou que não queria deixar de fazer esse tipo de evento. Tivemos uma reunião muito longa e saímos dela com o embrião do Village Arte Decor na cabeça e no papel. O nome já era esse, e a proposta ousada: revitalizar o bairro Monte Alegre, uma importante área da cidade, sob a tutela do Estado e do município, via Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) e Codepac (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural. A escolha do lugar tinha para mim, além do valor histórico, um significado pessoal muito especial, afinal, meu avô Eduardo Fernandes Filho havia sido gerente da Usina que deu nome ao bairro, morando nele e tendo alguns filhos nascidos lá.

Conversamos então com Balu Guidotti, proprietário da área histórica que nos interessava, e ele imediatamente abraçou o projeto de criação de 21 ambientes distribuídos pela Vila Heloísa, em barracões de armazenamento e espaços como escritórios. A inauguração, em 29 de outubro, foi um sucesso absoluto, reunindo nomes de destaque da arquitetura, design, decoração e paisagismo de Piracicaba e região, com matéria de destaque na Globo EPTV de Campinas e em muitos outros veículos.

O “bichinho” das mostras do gênero havia me picado de uma vez. Em 2017, fizemos a segunda edição do evento, dessa vez em uma casa também tombada pelo Codepac no bairro Vila Rezende, que abrigou 18 ambientes na área conhecida como Vila Francesa. Ainda nesse mesmo ano, paralela ao evento principal, foi montada uma mostra no Shopping Piracicaba, o Village Outdoor. Em 2018, chegou a hora de ampliar os horizontes no interior, e o Village aconteceu em Rio Claro, onde foram criados 20 ambientes em umas das grandes mansões do Jardim Claret, onde moraram por 36 anos empresários do ramo de cerâmica.

Após um ano de intervalo, eu e Eduardo decidimos que era hora do Village voltar a Piracicaba, dessa vez em uma casa cinquentenária na avenida Suíça. As obras tiveram início em outubro de 2019, e tudo estava indo de acordo com o calendário da mostra, que seria aberta em maio de 2020. Nada indicava que em março daquele ano a pandemia do coronavírus atingiria o mundo, se tornando uma das maiores tragédias no século 21. Nessa época estávamos na fase de acabamento das obras, e não havia mais como cancelar o evento, mas assim como todo o resto do mundo, fomos obrigados a paralisar os trabalhos e adiar sua abertura.

As incertezas nos atingiram em cheio. Paralisar uma obra quase terminada, sem ter ideia de quando ela seria retomada, foi um desafio e tanto. Eu e Eduardo não desistimos, e quando foi possível retomamos os trabalhos com todo cuidado exigido para a não propagação da doença. Nem vacina havia ainda! Recebemos o apoio da grande maioria de nossos profissionais e parceiros, uma comunidade formada por no mínimo 600 pessoas e marcas.

Apesar do pensamento positivo, tivemos momentos muito difíceis. Nosso planejamento foi perdido, nosso orçamento comprometido, nosso marketing criticado como se estivéssemos sem criatividade ou entregando menos do que havíamos acordado com os participantes do evento.

Finalmente, em março de 2021, abrimos o Village Arte Decor seguindo as normas de segurança contra o coronavírus, ou seja, visitação limitada,

uso de máscaras, álcool gel espalhado em todos os lugares possíveis, sem descaracterizar os ambientes. Mas os picos da covid estavam em todos os lugares, e fomos obrigados a encerrar a visitação presencial, mantendo apenas a virtual. Em termos financeiros o impacto foi grande, afinal, não pudemos contar com a renda da bilheteria para equilibrar as contas. Mas em termos de posicionamento de marca, foi essencial manter a realização do evento.

No momento em que lanço este livro, estamos à frente da realização da quinta edição da mostra, também em Piracicaba, numa casa na avenida Itália, uma das primeiras com arquitetura modernista da cidade, com o tema “Morar é Amor”, aberta em agosto. Os tempos são outros, e a renovação do projeto é algo natural numa história de muito trabalho, determinação e criatividade para superar todos os desafios.

16Trabalhando com o terceiro setor

Quando o MBM estava comemorando cinco anos, comecei a atender projetos de comunicação e marketing para o terceiro setor. É encantador se dedicar a projetos que modificam a vida das pessoas. Estava bastante envolvido e aprendendo muito sobre como alavancar instituições indispensáveis para uma sociedade mais justa, também como prestadoras de serviço social para diversos fins e participando de seu posicionamento enquanto empresa, com marca, missão e crescimento.

Vejo que um tabu enorme das instituições do terceiro setor é serem vistas de forma profissional, sem medo do reconhecimento enquanto empresas, com marcas, missões e utilidade pública, prestando serviços sociais e atendendo demandas humanas para determinados grupos. São projetos que impactam toda a sociedade.

O grande problema dessas empresas é que, mesmo não tendo fins lucrativos, elas deveriam estar muito conscientes do valor gerado para toda a sociedade, do seu lucro social, exatamente por desenvolverem uma ação muito nobre, complementar aos governos, gerenciada pela sociedade civil. Essa é uma grande dificuldade que reside na autoestima das instituições, começando pelo valor atribuído por funcionários, gestores e clientes atendidos por suas vocações. Um limbo, uma humildade exacerbada, o entendimento equivocado de que o pedir é mais forte do que o serviço oferecido. Instituições fadadas a acabarem são aquelas que se enxergam como pedintes,

estão sempre passando o chapéu e se esquecem de sua autoridade enquanto importantes células transformadoras de vidas e histórias, promotoras de melhores condições e futuro.

O Instituto Rumo atendia crianças de bairros carentes em contraturno com projetos educacionais e oferecia profissionalização a mulheres em situação vulnerável com cursos de artes e artesanato. Em 2008, a instituição precisava ter uma identidade corporativa e presença mais marcante nos eventos e na captação de recursos no interior de São Paulo. Participamos de todas as rotinas que envolvessem design e redação de projetos, eventos e comunicação com a sociedade, posicionando o Instituto Rumo entre as principais e mais sérias entidades do interior.

No terceiro setor, realizei trabalhos com importantes entidades de Piracicaba, como a campanha “Olhe a sua volta, estamos lado a lado”, em 2011, para comemorar o aniversário de 46 anos do Centro de Reabilitação Piracicaba, fazendo com que personalidades locais se colocassem no lugar das suas mais de 600 pessoas portadores de deficiências físicas, intelectuais e múltiplas atendidas, e suas famílias.

O Espaço Pipa, que atende crianças portadores da síndrome de Down ou deficiência intelectual e suas famílias, em 2011 era presidido por Fabiane Fischer, e estava num processo de grande mudança administrativa. Ela chamou o MBM Escritório de Ideias para integrar todo o processo de transformação institucional, começando pelo próprio nome, que foi dado por essa nova diretoria, no lugar de Associação Síndrome de Down. Surgiu então o nome Pipa, reafirmado por seu acrônimo que significa Promover Inclusão Partilhando Ações. Criamos desde a identidade corporativa, passamos pelos treinamentos de equipe, padrões de atendimento telefônico até a presença em grande estilo na Festa das Nações, ligando ainda mais a instituição à sociedade civil e a empresas.

Na Casa do Bom Menino, que atende crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, fizemos o reposicionamento da marca com a campanha “O sol brilhou e o bom cresceu, hoje ele é um grande homem”, que marcou 50 anos de aniversário da instituição, em 2013. Na oportunidade, desenvolvemos a revisão da identidade corporativa, o selo comemorativo, eventos para geração de recursos, a implantação do projeto Menino Gourmet e diversos produtos audiovisuais.

Em 2018, o MBM foi responsável pela organização da festa de inauguração do Instituto Autismo de Piracicaba (IAP), criado pela ceramista Eliana

Saliba, também terapeuta especializada no espectro autista, que enveredou por esse caminho após o nascimento e diagnóstico do filho Enrico. Além da inauguração, promovemos a imagem do IAP para que a cidade e a comunidade médica soubessem de sua existência. Em 2020 retomamos as ações de divulgação, já que o Instituto cresceu muito e se mudou para uma nova sede.

17Um jantar de excelência

Em 2010 fui convidado para ensinar no curso livre de eventos do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial). Seriam pouquíssimas aulas para mostrar aos alunos como eles deveriam organizar um evento, quais etapas deveriam ser adotadas, como organizar pequenos, médios e grandes eventos. Entre os alunos, pessoas de diferentes idades numa turma rica e bem variada. Um deles, Ivan Marcondes Antonio, foi até parar no Big Brother Brasil 13. Na época, ele e a mãe Maristela participaram bastante das aulas, sempre muito interessados e parceiros das ideias. Quando dou este curso, procuro envolver a turma numa teoria ampla e ainda ofereço a oportunidade da realização de um evento na prática. O mais legal de um bom evento é que ele tem uma agenda, uma sequência, um beabá que não tem como a gente fugir. Propus que fizéssemos um jantar real, uma noite de sabores brasileiros, afinal tínhamos chef, assistente de cozinha e profissionais do setor no grupo. No início eles ficaram um pouco receosos, mas toparam organizar o desafio. Fizemos um jantar com música e menu completo, com apoio de empresas e voluntários. A noite foi um sucesso e até hoje somos encantados pelo sucesso que se tornou aprendizado e história.

18Pandemia: Tudo novo para sempre

Quando a pandemia da Covid-19 foi anunciada, eu estava firmando novos contratos de trabalho com clientes do interior e de São Paulo capital. Todos foram suspensos. De março a dezembro de 2020 o faturamento de minha empresa caiu 90% e me vi numa situação muito difícil, muitos questionamentos sobre minha competência, redução de equipe e um sentimento de impotência gigantesco. Em casa, a tristeza de ver parados diversos projetos de eventos, inclusive um bem adiantado, se transformou logo em ação. Eu

não podia me deixar abater. Não tinha mais um time grande de pessoas comigo, estava sem dinheiro, mas logo descobri que tinha algo para ajudar as pessoas: meu nome e minha boa comunicação.

Comecei dando toda força possível para os empreendedores de gastronomia, numa ação que chamamos de Delivery Chow. A ideia era receber os deliverys de amigos e mostrá-los nas redes sociais, falando da qualidade dos pratos, da embalagem, a segurança das entregas, a tradição das empresas e outros atributos. Logo em seguida começaram as lives, nas quais fui desafiado com conteúdos diferentes para gerar relevância e reflexão junto ao público. Já no segundo semestre de 2020, eu e a cantora Julia Simões, criamos um estúdio para realização de lives e shows ao vivo para redes sociais, onde criamos mais de 50 eventos.

Depois de 12 anos no ar, fui informado sem grandes justificativas que meu contrato não seria renovado na rádio onde eu estava atuando. Menos de um mês depois eu já estava num novo endereço, super acolhido e com o triplo de espaço para realizar meus projetos. Em poucos meses, dessa nova oportunidade na Rádio Onda Livre FM, onde alcancei mais de 50 cidades com meus quadros de entrevistas e notícias, apareceu a oportunidade de um programa com meu nome, com minha energia, com entrevistas e variedades. O “Café com Pan” da Jovem Pan News FM virou sucesso na pandemia e hoje continua animando muita gente na região metropolitana de Piracicaba.

Entre aberturas e fechamentos de eventos, consegui realizar a quarta edição do Village Arte Decor, mostra de arquitetura, decoração e paisagismo. Enfrentamos o tempo, a pandemia e até perseguição política.

Cresci com minha marca pessoal #TudoComCH, com minha presença e personalidade em projetos, ajudei muita gente e ainda aprendi que é preciso encerrar amizades e parcerias profissionais sem reciprocidade. Nas dores da pandemia, vivenciei também o valor à família e o sentimento real de que menos pode ser mais.

19Curtinhas

Algumas pessoas vão te dizer que não vai dar certo: Se tem uma coisa que sempre tive foi otimismo. Não aceito ouvir de alguém que algo não vai dar certo. A gente precisa tentar primeiro! Não dá para ser negativo ou se acomodar no insucesso. Eu brinco que tem gente que gosta de contar vantagem ao contrário, a pessoa sempre tem uma dor, dificuldade, impedimento ou algo negativo para contar. Acho um saco! Afinal, gosto mesmo é de ir até o fim, de batalhar, de afirmar, de trabalhar em equipe. Eu gosto do “sim” mais do que do “não”. E quase todas as vezes em que alguém diz que algo não vai dar certo num trabalho, num projeto, numa situação, peço para minhas forças maiores me orientarem, recorro às minhas experiências anteriores e me agarro no que pode acontecer de bom, na virada do jogo e numa forma diferente de enxergar as necessidades de realização daquilo. Não aceito me acomodar, não esquento cadeira de dificuldade, me coloco como um resolvedor de problemas. Bem que minha avó dizia que só não tem jeito para a morte.

Não deixe ninguém ser âncora na sua vida: Uma vez uma pessoa me disse que sou muito aéreo, que preciso ter pessoas que são âncoras na minha vida. Eu simplesmente não quero isso! Não quero ninguém me puxando para baixo, pesando na minha vida para me afundar. Acho sim que é importante acharmos um equilíbrio, mas essa história de que a gente sonha muito – e não pode – é uma verdadeira desgraça. Quero é sonhar muito, realizar muito, eu mereço abundância. Aceito no máximo ter uma linha na minha pipa, um norte no meu barco. Muitas vezes isso pode vir de pessoas que complementem minha visão, parceiros de projetos e amigos que se conectem aos meus talentos. Os exatos e os humanos se completam sim, mas um não deve desmerecer o outro, isso é uma armadilha sem volta.

Se você errar, vai se lembrar: Lembro de muitos erros que cometi em minha trajetória, principalmente pela ansiedade de ver tudo dando certo. Errei na cobrança de valores menores ou maiores, errei na expectativa dedicada e na confiança em determinadas pessoas e ideias que me frustraram. Penso que errar é uma das maravilhas do processo de querermos fazer. Só erra quem faz, quem quer fazer. Erra e aprende. Talvez eu tenha uma quantidade

maior de horas dedicadas em projetos de comunicação, marketing e eventos exatamente porque nunca tive medo de fazer, de tentar, de experimentar. Não tenho medo de julgamentos, de opiniões ou de críticas, isso me ajuda muito, já que são muitas e o tempo todo. Às vezes vejo gente tão receosa que me procura para ajudar a realizar um projeto, um sonho delas. Percebo que elas precisam de meu apoio porque têm tanto medo de errar e serem julgadas que não se permitem o risco de tentar. Elas chegam certas de conseguir. Mas em praticamente todos os casos, para conseguir temos que tentar, testar, projetar. Obviamente que minha margem de erro é menor enquanto profissional contratado para realizar um projeto. Mas também sou suscetível ao erro. Transformar o erro em amigo, a deslizada em aprendizado, reconhecer sua incapacidade não é demérito. É ser humano!

Os brinquedos, cartões e livros da Tia Cida: Percebo que a maioria das crianças e jovens de hoje têm uma dificuldade que provavelmente será bem sentida no futuro, que é a pouca leitura. Para chegar nos lugares mais altos de minha jornada de trabalho, precisei de muita escrita, leitura, fala e escuta. Comecei tudo em casa, com muito estímulo. Uma das pessoas mais importantes nesse processo de aprender e gostar de ler foi minha tia Cida. Ela é uma das poucas pessoas que me presenteou com livros, cartões com mensagens e até mesmo brinquedos educativos. Foi por ela que conheci Daniel Defoe, os irmãos Grimm, Cecília Meireles, Ziraldo, Fernando Pessoa, Richard Bach e tantos outros nomes da literatura brasileira e mundial. Às vezes ela não mandava presente no Natal ou aniversário, mas sempre tinha uma palavra escrita, uma mensagem positiva, algo gentil e amoroso. Isso é um carinho sem igual.

Abrace hoje as oportunidades: Tem sempre uma oportunidade de boas ideias e conexões aparecendo em nossa vida. Precisamos saber enxergar isso como um sinal de que as coisas estão se movimentando e de que nosso potencial é alto para voos cada vez maiores. Muitas vezes uma boa oportunidade vai aparecer para nos testar num cachê pequeno, num projeto com desconhecidos, num domingo ou num dia em que poderíamos estar descansando. Quando abraçamos essas situações atípicas, nos abrimos para um final feliz, um grande aprendizado e superamos a barreira da dúvida. Nem sempre é sobre ganhar, mas sempre é sobre aprender.

Bruna: Eu sempre idealizei a amizade como um lugar que nos cura, alegra e faz crescer. Na boa amizade temos ainda a oportunidade de ajustar as condutas, aprender a tratar o outro e saber pedir aquilo que conforta, ter a certeza de que é possível continuarmos juntos mesmo depois de um desentendimento. Entre os tantos amigos, tenho uma que sempre me enxergou grande. Desde os 14 anos a gente está junto e tenho a sorte ter de sua presença em praticamente todos os momentos (bons e ruins) de minha trajetória. Bruna Cadioli Rossi Zambon sempre vibrou como poucas pessoas pelo meu sucesso e considero isso um presente, pois ela sempre cuidou de mim. Com ânimo e disposição, ela viu nascer a Casa de Noel antes mesmo de sua criação, quando eu morria de calor para animar festas em Piracicaba e região. Minha primeira roupa de Papai Noel foi feita pela costureira de sua mãe. Bruna esteve também na reforma da Società Italiana, lugar onde sua avó Ada Cadioli foi professora por décadas. Nossas aulas de italiano com sua avó eram divertidas demais. Ela assistiu também os grandes shows comemorativos do musical Casa de Noel, quando viajamos em turnê por mais de 15 cidades, a primeira vez que pisamos nos estúdios Globo e tantos outros recordes dessa minha trajetória. Quando seus amigos abrem também o afeto de suas famílias, o sucesso ganha ainda mais força para acontecer. Eles sabiam que ia dar tudo certo!

Senhora Mesa: Patrícia Guimarães é uma jornalista criativa e apaixonada. Por sermos parecidos na intensidade do que gostamos de fazer, não foi raro termos certos atritos ao trabalharmos juntos. Mas tá aí uma profissional porreta, com vontade de realizar e sem medo de botar a mão na massa. Com a participação da minha amiga Cris Sanches e um time de jornalistas super competentes, criamos a “Senhora Mesa”, primeira revista de gastronomia do interior de São Paulo, resultado de um laboratório que Patrícia teve por anos: a cozinha afetiva. Fui visitá-la no Peru, quando ela morou, trabalhou e estudou, acompanhando o trabalho de seu marido André. Como uma boa especialista em bem receber, ela ensina seus seguidores, principalmente do Instagram, a fazerem mais e melhor na cozinha, servindo uma Senhora Mesa!

Zazá Brasileira: Uma das cantoras de samba e MPB mais amadas de uma geração trouxe um grande presente para mim. De fã passei a produtor e juntos criamos seu primeiro show no Teatro Municipal de Piracicaba. Isaíra Aparecida Barbosa, conhecida como Zazá, foi uma das artistas mais carismáticas que eu conheci, sua energia era contagiante. Infelizmente ela

faleceu logo após o grande show de sua vida, registrado em vídeo para ser material de prospecção para novos clientes. Ficamos com imagens e sons únicos, gravamos a homenagem de amigos e contamos sua história de vida. Como legado ao seu filho, Rafael, a quem tenho a honra de chamar de amigo, ela deixou o amor pela música e o lugar da voz para que ele não só prosseguisse, assumindo a liderança de novos projetos, como também se encontrasse como artista.

Imagem do livro CHEio de Ideias — página 193

A exposição dos dinossauros: Ao visitar o Peru fizemos amizade com muitas crianças da praia de Boca León, onde meus tios Ricardo e Mary levavam meus primos para as férias. Como um menino inquieto e cheio de energia, eu não parava. Tinha dias que minha tia avisava que não poderíamos tomar mais de três sorvetes Donofrio, marca peruana do carrinho do senhor Elmer. Depois de muito inventarmos brincadeiras na praia com os amiguinhos, percebi que todos tinham muitos dinossauros de borracha e alguns tinham exemplares super bem-feitos. Acabamos criando uma exposição e saímos pelas ruas do condomínio anunciando o evento, realizado nas areias da praia, à noite, com efeitos de iluminação e toda uma cenografia. Para verem a exposição, os primeiros dez adultos não pagaram, com a condição de divulgarem para o restante da praia. No final da atividade todos tínhamos muitas moedas e elogios.

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