
Sempre que compartilho a minha história e a caminhada como protagonista até aqui, fica cada vez mais claro que a arte teve – e sempre terá – um papel essencial em toda a jornada. Seja pela música, pintura, dança, teatro, as manifestações artísticas têm um lugar muito especial na minha vida, de forma que sem ela o meu protagonismo estaria incompleto.
Na minha história, está bem claro que a arte não tem idade e suas manifestações foram intergeracionais, de forma que aprendi com meus avós, meus pais, tios, irmãos e primos, com cada um deles dando sua contribuição preciosa nessa construção do meu protagonista.
A primeira das modalidades artísticas mais importantes a marcar essa minha caminhada foi a música. Não só por parte da minha mãe, mas principalmente pelo meu avô, que ajudou a fundar a Escola de Música de Piracicaba. Ele cantava tangos e boleros na rádio com seus amigos Cobrinha e Mauro Vianna, e desde mais novo na rádio com seu primo Ramon Vidal.
Minha mãe e todo o talento dela se encaixavam em um contexto familiar mais amplo. Ela cantava e tocava piano, minhas tias também tocavam o mesmo instrumento, meu tio tocava violino e assim a música dava um belo passeio pela nossa família.
A música sempre foi muito presente, ao ponto de a família criar forte identificação com outras pessoas tendo essa arte como um vínculo de aproximação. Exemplo disso foi dona Neyde, professora de piano. Ela se tornou tão próxima da família, que era uma de nós.
Além da música, também fomos muito influenciados pelo desenho e a pintura, e um dos canais de entrada dessas artes em nosso lar foi por meu
tio Fernando e também pela minha tia Regina, que sempre foram muito presentes em nossas vidas.
Tio Fernando é um grande artista gráfico que trabalhou na extinta TV Manchete e na Rede Globo e toda nossa infância foi marcada pelos lindos desenhos que ele fazia para nós, além de suas aquarelas, e projetos de identidade visual para grandes marcas. Já tia Regina pintava quadros lindos e estudou artes no Estados Unidos, tornando-se uma renomada teórica das cores. Além deles, minha mãe também amava desenhar, comprovando assim sua multiplicidade de talentos.
A terceira modalidade que me marcou muito nesse desenvolvimento do meu protagonismo foi a dança. Minha tia Dirce Lacôrte foi fundadora da principal escola de dança de Piracicaba – o Studio 415 – e teve até escola de dança na capital. A filha dela, minha prima Mai – já falecida – também era uma grande bailarina. Minhas tias Ana Lúcia Cobra Lacôrte e Lúcia Lacôrte também representavam bem a arte no nosso cotidiano. Então, tínhamos muito forte a presença da dança e do balé na família.
A quarta modalidade artística que marcou bastante a família e por consequência o meu protagonismo foi a fotografia. Contemporâneo do renomado pintor e escultor espanhol Pablo Picasso, meu bisavô espanhol veio para Piracicaba e foi um dos primeiros fotógrafos do interior de São Paulo. Depois, minha tia mais velha – a mesma que abriu a escola de balé – se casou com um grande fotógrafo, Lacôrte, que também trazia essa arte como uma tradição de família, e isso só fortaleceu essa manifestação artística em nossa casa. As fotografias social e artística sempre foram referências para nós.
Como quinta modalidade artística que me influenciou consideravelmente posso citar o teatro. A verdade é que como publicitário me sinto um ator social, porque na mesma proporção que o ator pode se vestir de qualquer personagem que queira ou precise interpretar no palco, na publicidade também preciso me vestir com os valores e necessidades de cada empresa ou pessoa que se torna minha cliente.
Então, não deixo de ser um ator social e corporativo, porque assumo esse papel pela empresa de alguém, como um agente que está levando ao público a informação que ela precisa divulgar.
Sem dúvida alguma, o teatro foi importante para me ajudar a assumir vários personagens corporativos ao mesmo tempo.
1A vida imita a arte
Fato interessante é que cada uma dessas manifestações artísticas me influenciou positivamente e ajudou de uma forma muito bonita e notável a desenvolver o meu protagonismo. No caso da dança, ela me ensinou um pouco sobre o ritmo da vida.
É bem verdade que, quando tive meus primeiros contatos com a dança, mal sabia sobre a vida, mas quando comecei a aprender sobre a vida já sabia bastante sobre dança e isso me ajudou a olhar para o meu protagonismo de uma forma bem mais proativa e resiliente.
Compreendo que, assim como a dança, a vida tem movimentos altos, baixos, bruscos, suaves, às vezes alegres como um samba, às vezes cheios de charme como um jazz e às vezes dramáticos como um tango.
De forma prática, a dança me ajudou a lançar um olhar mais dinâmico sobre trabalhos, como a organização de um evento. De forma ideal, ele funciona exatamente como uma coreografia, pensada, planejada, ensaiada e cronometrada, para que no momento da apresentação sua estética seja impecável, bem como a verdade, a mensagem nele transmitida, precisa carregar sua essência.
Já o desenho e a pintura tiveram forte influência sobre meu trabalho como publicitário, porque são artes muito presentes nessa profissão. Quando vou fazer um esboço, o planejamento visual de alguma coisa, logotipo, tudo isso precisa muito do desenho. Desde criança, sempre gostei de desenhar e essa arte não ficou apenas no “gostar”. Acabei aprimorando técnicas e adaptando-as para meu ramo profissional.
A cada dia mais compreendo o quanto o desenho foi – e ainda é – muito importante para meu trabalho como um movimento estético para o planejamento. É bem verdade que a essência de um projeto é extremamente importante, mas entendo que o formato também precisa estar à altura, para apresentar a proposta de forma digna. O desenho tem justamente essa força de ajudar a esclarecer as ideias.
Da mesma forma, a pintura me ajudou a formar meu senso estético de proporção, cores e contrastes para dar aos projetos a beleza, suavidade ou força que eles merecem, conforme suas propostas.
Com isso, já deu para ver que sou uma pessoa muito voltada à imagem – não simplesmente de aparência, mas sim com o objetivo de traduzir a essência
em um formato que seja merecido, fidedigno. Então, seguindo essa linha, entendo que a fotografia também entra nesse conjunto de influências, pois ela representa esse congelamento de momentos e imagens que vão se tornar importantes de forma quase eterna. Desde a infância até hoje a fotografia ganhou para mim um significado muito importante, porque ela qualifica, quantifica, recorta uma postura, nos marca e dela vem a linguagem do vídeo.
A união dessas linguagens artísticas me torna um profissional preparado para liderar, emitir comunicação, elementos de economia criativa e principalmente refletir, saindo do meu cotidiano para ter ideias e projetos inovadores.
Essa confluência das modalidades artísticas é um grande estímulo para profissionais que querem acertar nos projetos e trabalhos que executam. Representa uma verdadeira união de forças.
Pessoalmente, essa união das linguagens artísticas me motiva todos os dias para que eu desenvolva a minha busca pelo autoconhecimento, e uma das formas mais importantes que utilizo para o autoconhecimento é a arte, pelo acesso às emoções que são geradas por meio das suas expressões estéticas.
2Movido à música
Sem dúvida, a música é um motor muito grande para mim, pessoal e profissionalmente.
Exemplo dessa grande influência que a música traz é a Casa de Noel, meu principal projeto musical e que tenho como um tesouro da minha carreira, pois foi um dos primeiros que desenvolvi. Da mesma forma que preciso comer, beber água e descansar, preciso ouvir pelo menos meia hora de música todos os dias. No meu fator pessoal a música tem uma fundamentação e importância muito grandes, salvando o meu olhar para muitas questões mal resolvidas. É essa arte que geralmente me traz uma frase, uma melodia, que são capazes até de amenizar algum sentimento ruim ou aflorar sentimentos bons, quando a playlist encaixa bem com o momento.
Apesar de ser verbal, a música também tem uma grande carga de sensibilidade não verbal, conforme o acorde, a nota, conforme o instrumento, as nuances e melodias, e por isso consegue gerar resultados maravilhosos.
Creio que às vezes a música tem o poder de resolver coisas que eu nem sei que precisam ser resolvidas, porque ela aguça muito a sensibilidade e a percepção – a começar, obviamente pelas áreas artística e criativa.
Então, sempre que me sinto desafiado, quando preciso escrever um grande projeto que precisa de uma atenção ou de um olhar mais sensível para entender seu público, recorro à música como um elemento de estímulo, porque ela me traz a emoção do riso, do choro, a introspecção e também o extravasar de sentimentos.
Essa arte tem um poder muito grande sobre mim, inclusive porque hoje dependo da música como um elemento agregador de valor. Se eu fizer um evento, por exemplo, e ele tiver música, isso deixa a ação mais incrementada, sem dúvida. Ou se eu fizer uma reunião, em algum momento da apresentação, vou passar um trecho de uma música, porque entendo que uma letra/melodia bem escolhida tem um poder de mobilização social muito alto.
3A sensibilidade do design
Nas minhas lembranças, tenho o registro de que desde criança sempre gostei de artigos e produtos que carregam consigo um conceito ou padrão – estético ou de status – de alto valor, e que não podia ter na época por serem muito caras e eu ainda não ter dinheiro suficiente para comprá-las – nem mesmo minha família. Sou muito sensível àquilo que acredito ser bonito e também entendo que esse conceito pode ser estabelecido, tanto de forma coletiva quanto individualmente.
Cada um tem um senso de beleza e é influenciado de alguma forma – muito ou pouco – por ele. O meu senso de beleza me move muito e enxergo que o design tem essa lição de organizar e dar forma justamente àquilo que ainda não tem definição, mas principalmente de organizar na minha mente esse entendimento de forma, conteúdo e função.
Além do design movimentar muito o olhar estético-ético, ele lança sobre as nossas mesas um questionamento: o que é beleza?
O design consegue aplicar função e forma para coisas que talvez as pessoas não percebam que são tão importantes dentro do processo criativo de trabalho. Desde a definição de uma cor de paredes em um projeto que estamos
inseridos até a construção do cenário de um evento, o design está presente em todas essas aplicações.
O design exige e ao mesmo tempo aguça a sensibilidade do profissional que decide aprender e trabalhar com ele. Afinal, sensibilidade é indiscutivelmente essencial nessa área. Sabendo disso, você pode me questionar:
— Mas Bruno, até que ponto essa sensibilidade é algo nato e a partir de que ponto isso pode ser desenvolvido?
Na verdade, creio que a sensibilidade tem muito a ver com as experiências que cada um vivenciou ao longo da vida. No meu caso, a sensibilidade foi realmente fruto de um grande aprendizado, mesmo que não intencional. Algumas coisas me aconteceram e que não queria que tivessem acontecido, me causaram dores naqueles momentos específicos, mas depois me ensinaram que eu tinha força para superá-las e, ao mesmo tempo, sensibilidade para perceber a existência delas.
Essa sensibilidade que acabei desenvolvendo tem uma relação muito forte não simplesmente com fatores externos, mas antes de mais nada, com questões internas, com meu processo de autoconhecimento. A sensibilidade vem com o enfrentamento e não com a fuga de situações.
O protagonista sabe lidar com as questões que apareceram e surgem na sua vida e esse processo exige dele o desenvolvimento da sensibilidade.
Para o protagonista, ter sensibilidade é muito importante e, muitas vezes, ela reside no ato de se colocar no lugar do outro, compreender limitações dentro de uma equipe, compreender suas próprias limitações, dificuldades e superações diante de alguns processos criativos.
Hoje entendo que a sensibilidade contribuiu imensamente para meu protagonismo, porque me ajudou a criar coisas inovadoras, além de conseguir mesclar de forma muito equilibrada sentimentos e questões humanas, com questões e sentimentos ligados ao meio corporativo e empresarial, tornando assim esses processos mais humanizados e ao mesmo tempo viáveis.
4Multimídia também é arte
Quando falo na convergência de todas essas modalidades artísticas somadas a uma boa dose de sensibilidade, entendo que nos dias atuais essa aborda-
gem ficaria incompleta se eu não considerasse a multiplicidade de opções de mídia existentes. Digo isso porque, acima de tudo, ser um profissional multimídia também é uma forma de se expressar. E o que é a arte senão a variedade das formas de expressão?
No meu caso, por exemplo, ser multimídia foi uma expressão artística sim, porque reuniu vários desses elementos que descrevemos no início deste capítulo, como me relaciono com eles e como eles foram referências para mim.
Sobretudo acredito que, à medida que agregamos novas mídias às nossas formas de expressão, entramos em um processo de autoconhecimento e isso gera muita força, porque muitas vezes, ao expormos vários talentos diferentes que são complementares, podemos trazer uma imagem errada de que não somos competentes, como se estivéssemos navegando à deriva.
Descobri isso e enfrentei o conceito pré-estabelecido de que “quem é multitarefas não faz nada direito”, que também é aplicado às artes por muitos que nem mesmo têm profundidade artística. Aos poucos, consegui mudar essa mentalidade em muitas pessoas com quem e para quem trabalhei.
Com o tempo, consegui mostrar que os diferentes trabalhos que desenvolvo conversam entre si e também mesclam minhas aptidões e talentos artísticos, se tornando uma manifestação sobretudo da minha personalidade múltipla, que busca diferentes formas de expressão nas várias artes de referência e formatos de negócios, de mercado, de inovação.
Foi durante a pandemia que o senso de sobrevivência se uniu à multimidialidade e consegui, mesmo com tantas dificuldades, criar e participar de vários projetos inovadores. Com minha amiga Julia Simões e um grupo de técnicos de som, áudio e vídeo das empresas EcoSound e LifeFilm Produtora, montamos um estúdio de lives que produziu muito conteúdo com uma estrutura fantástica. Aprendemos novas linguagens multimídia e movimentamos parcerias. Participei também das atividades do estúdio da Multimagem, parceira do MBM Escritório de Ideias há muitos anos, com a apresentação de uma agenda de talk shows online e minieventos. Ainda como forma de atuação criativa, apresentamos o espetáculo Casa de Noel online, em parceria com Popin e Drogal.
5A arte e os novos tempos
Como alguém que tem manifestações artísticas e ao mesmo tempo trabalha com multimídia, entendo que a arte tem um papel muito importante na formação dos novos tempos. Independentemente da tecnologia, conseguimos manter a essência artística. E qual seria a essência da arte?
A essência da arte é a livre expressão, a livre entrega e a crença que vai além dos padrões normais de uma sociedade.
Por isso creio plenamente que a arte se manterá e será cada vez mais entendida como uma parte importante do nosso cotidiano e até mesmo dos nossos negócios. Em primeiro lugar, porque ela consegue nos manter conectados à nossa matriz humana, nossa origem, nosso comportamento em devidas épocas. Ela toca líderes e colaboradores, mundo corporativo e a sociedade. A arte integra e por isso entrega.
Em segundo lugar, porque ela nos estimula de uma forma muito natural a buscarmos sempre o nosso melhor, novos aprendizados com uma série de outros elementos. Sem dúvida, creio que essa busca leva o ser humano a avançar dentro das eras e marcar sua época com novas descobertas.
Independentemente de qualquer outra tecnologia, a arte nos leva à origem da nossa intenção primária, que não é simplesmente ganhar dinheiro e sim gerar uma sensação, expondo nossos sentimentos de forma livre e recebendo isso de fora.
Há quem discorde de mim, mas não deixo de acreditar, que de forma geral, a tecnologia não irá matar a arte, porque as expressões artísticas não estão presas a formatos ou épocas. Arte é sempre arte, não importa a plataforma em que se desenvolva ou se apresenta.
Atualmente vemos muitos aplicativos e outras ferramentas digitais que se valem da arte e do próprio design para alcançar seu público. Por mais que a pretensão da arte não seja chegar ao público e ter tantos resultados, por mais que a intenção direta não seja essa, é isso que acontece.
Não posso deixar de reconhecer – e temer – um possível “empacotamento” das expressões artísticas pela tecnologia, porque há muitas coisas nos dias de hoje que possibilitam uma reprodução em massa de “produtos artísticos”, como aplicativos que dispõem de templates, por exemplo. Cada
um daqueles modelos ali disponível é resultado da expressão artística de alguém. Por isso vejo o perigo da arte sendo “pasteurizada” em certas ocasiões.

Como evitar essa pasteurização da arte? Ainda não tenho a fórmula dessa vacina, mas creio que a prevenção não esteja em demonizar a tecnologia, e sim usá-la sempre a favor da arte, nunca abandonando o toque humano, analógico e real.
Exemplo disso seria provocar o contato das pessoas que estão no seu guarda-chuva de protagonista com expressões mais genuínas, manuais, orgânicas, artesanais, enquanto a tecnologia contribui com uma plataforma eficiente para a exposição dessas interações, estimulando assim que essa prática avance e se multiplique.
6#TudoComCH: Arte e negócios
Ao falar sobre a minha intensa relação com a arte e suas múltiplas influências, lembro de um projeto que desenvolvi, quando licenciei no Brasil os papéis de parede de dois artistas, o brasileiro Marcelo Gimenes e o holandês Jaap Snijder. Foi um trabalho que ilustra de forma prática essa relação entre arte e negócios e como os dois podem conversar e gerar ótimos resultados.
Fui chamado pela companhia holandesa para licenciar no Brasil o papel de parede deles. Seus produtos são pintados à mão, porém têm uma linha transformada em painéis digitais para uma escala mais comercial.
Fui contratado para fazer um trabalho de prospecção no Brasil e acabei encontrando uma fábrica que poderia produzir os papéis de parede dessa empresa em solo brasileiro, após a licença ser concedida.
Hoje, essa empresa faz parte do portfólio da marca de papéis de parede. Os papéis de parede são vendidos em rolos, em painéis para fazer as sequências e como as matrizes do produto são pintadas à mão e depois digitalizadas, eles são exclusivos. O que conseguimos fazer? Unir a arte desse trabalho – de altíssima qualidade – ao poder de alcance e praticidade que a tecnologia tem.
Para atrair os clientes, investimos na divulgação do portfólio valioso que a empresa tem por desenvolver projetos para grandes famílias e até castelos da Europa, além de sua forte presença na mídia mundial. Então, divulguei esses fatores diferenciais em São Paulo – capital e interior.
Chegou o momento em que eu estava preparado para cuidar desse licenciamento. Então, acompanhei também o processo jurídico de contratação do design, ajustes e fornecimento dos arquivos. Aprendi muito na relação com o advogado que comigo redigiu os termos do documento de licenciamento e, claro, com os talentosos designers que sempre foram muito generosos com meu trabalho. O fabricante esteve entusiasmado desde o começo e isso refletiu muito no sucesso da parceria.
Eu gosto de citar esse case porque, sem dúvidas, é um ótimo resultado da união equilibrada entre arte e negócios.
Cuidamos do projeto de licenciamento e tive muito prazer por desenvolver esse trabalho de grande valor, que não deixou de respeitar a sensibilidade artística de um produto com matriz artesanal.
7O sucesso nos rodeia
Em toda minha trajetória profissional e pessoal influenciada pela arte, creio que vale a pena destacar pessoas que muito significam para o incentivo dentro de uma manifestação artística que hoje considero o meu combustível para a vida como um todo: a música.
Minha mãe e meu avô materno, sem dúvida, merecem lugar de destaque por claramente me inserirem de alguma forma na música – cada um a seu jeito, logicamente. Enquanto minha mãe vivia uma musicalidade completamente livre e visceral, meu avô – com seus tangos, boleros e serestas, a fundação da Escola e o incentivo aos filhos – me mostrava uma manifestação musical totalmente associada à disciplina, estudos e dedicação.
Meu amigo Hermes Petrini e sua família são também forte referência por respirarem música e tê-la de forma visceral em suas trajetórias de vida, inclusive com presença garantida em todas as edições do musical Casa de Noel, desde o ano 2000.
A professora de canto e coral Malu Canto foi muito importante para o despertar do meu potencial vocal. Fizemos muitas aulas em sua casa, ao piano, e não raras vezes com a presença de seus seis filhos e o professor Gil, seu marido e meu amigo.
A parceria com a cantora Wana Narval me proporcionou entender a leveza da entrega, a emoção como fator indispensável, a disciplina como tônica e a cumplicidade no palco. Nossas performances de Natal são repletas de mensagens e experiências espirituais. Sempre foi muito rico companhar meus amigos Aline Nunes, Alê Antunes, Ana Foizer, André Grella, Aninha Barros, Augusto Vecchini, Camilo, Carol Laudissi, Douglas Simões, Du Helene, Du Quadros, Eloy Porto Neto, Frank Tuba, Henrique Cândido, Janu, Juca Ferreira, Julia Simões, Laura Laguber, Lu Garcia, Lucas Galli, Marcia e Murilo, Marcos Moraes, Márcio Sartório, Mário Brito e Marina Falda, Nereu, Ramon Saci, Sandra Rodrigues, Zazá e Rafael, entre tantos outros.
Meus tios Rê Fernandes e Julinho Villani, que se conheceram num navio e tocaram a vida juntos por vários anos, com escaleta e piano.
A eles, minha gratidão por me apresentarem esses dois lados tão fascinantes dessa arte. Profissionalismo e liberdade juntos em prol da vida!
8Falando com a massa: A arte que promove vida

Arte, ar, ter, terra, tear. O primitivo do ser em CORES. Certa vez viajei em uma reflexão sobre as origens e o ser que pulsa, que reconhece sua carga dramática e enxerga o futuro com determinação.
Tendo meu rosto como tela tridimensional e transitória, meu rosto colorido em uma foto provoca uma conversa animalesca entre luz e cor.
Olhos, nariz e boca formam muito mais que um rosto: eles são a pura expressão de uma alma inquieta, cheia de sonhos e amor sagaz.
Na cor e na luz, a existência cheia de buscas encontra sua essência, como se estar pintado fosse a condição mais natural, primitiva e sobretudo política, compatível com minhas experiências e entregas. Arte nos olhos, no corpo, inteiro, na boca, nas palavras.
Um ser humano intenso e que acredita que suas ideias pousam no sucesso.
















